Lobistas estão com os dias contados (Tribuna da Imprensa)
BRASÍLIA - A contratação de lobistas que vivem de intermediar contatos entre prefeituras e ministérios pode cair em desuso. O Portal dos Convênios, que registra todos os programas dos ministérios para levar obras e serviços aos municípios, faz concorrência direta e gratuita com o lobby tradicional.
Boa parte dos prefeitos, especialmente os de municípios menores, fica sabendo da existência de verbas federais por lobistas, que lhes servem de guia na Esplanada dos Ministérios. Há também lobby instalado em escritórios bem montados nos arredores da Praça dos Três Poderes, que atuam como despachantes de luxo, acompanhando projetos de interesse de prefeituras mais ricas.
Com o novo Sistema de Convênios (Siconv), no entanto, todas essas informações serão prestadas on line. No portal, o Ministério do Trabalho, por exemplo, vai tornar público que dispõe de verba para programas de qualificação profissional. Os prefeitos que se interessarem poderão se candidatar, apresentando os seus projetos também on line.
E bastará acionar o portal para saber todas as certidões negativas de débito e outros documentos exigidos para ter acesso ao dinheiro. Para complicar ainda mais a vida dos lobistas, o governo acredita que o número de convênios celebrados com ONGs e prefeituras deve diminuir. Afinal, pelas novas regras do sistema, a transparência das operações em tempo real na internet não permite o chamado "jeitinho brasileiro", em que convênios são celebrados só para produzir um efeito político.
Não são raros os casos em que a autoridade sabe que as obras previstas no papel jamais serão executadas, porque o Orçamento para as transferências voluntárias já havia estourado quando da assinatura do documento. Agora, porém, a política terá de obedecer à matemática financeira. O novo sistema não permite ao ministro assumir compromissos acima do limite de seu orçamento.
Aspecto da Metodologia Científica, derivado da Teoria Geral dos Sistemas, de Lwidg von Bertalanffy. Alicerça-se na existência de um Universo Sistêmico, isto é, constituído em sua totalidade, por quatro linhas de sistemas: de natureza física, biológica. social e tecnológica. Corresponde a um quadro de referência capaz de operar na linha de universalidade, totalidade, abrangência, síntese e integração. Insurge com aspectos fragmemntários ou reducionistas de diversas outras metodologias.
segunda-feira, outubro 20, 2008
sábado, outubro 18, 2008
NECESSIDADE DE ORGANIZAÇÃO SISTÊMICA DA SEGURANÇA PÚBLICA ESTADUAL
Para Hélio Bicudo, confronto entre polícias reacende debate sobre unificação
William Maia
O confronto entre policiais militares e civis ocorrido em São Paulo nesta quinta-feira (17/10) deve colocar novamente em debate a questão da unificação das corporações, com a desmilitarização dos agentes de segurança do Estado. Essa é a opinião do jurista e ex-vice-prefeito da Capital Hélio Bicudo. "Não existe segurança pública de verdade com duas forças, cada uma caminhando para um lado diferente", afirmou.
Para o jurista, sempre existiu muita resistência à questão, especialmente por parte dos militares. "É um debate que já deveria ter sido feito, mas que não aconteceu por causa do lobby da Policia Militar, aliada ao Exército —não podemos esquecer que a PM é uma força de reserva do Exército—, que tem grande interesse de manter a polícia militarizada", disse Bicudo.
Em sua opinião, um ponto importante a ser questionado seria a existência de uma Justiça separada para os policiais militares. "Agentes que cometem crimes comuns são julgados como se tivessem cometido crimes militares, em uma Justiça que é corporativa. Basta ver os resultados dos julgamentos para se verificar que o índice de impunidade é quase de 90%. O que é uma mola para a violência policial", afirma Bicudo.
Ele destacou também que a atual organização da PM seria fruto de uma herança da Ditadura Militar, que deu a ela as atribuições que conserva até hoje, por causa do lobby militar na Assembléia Constituinte. "A Carta de 88 fez um corte entre a atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil. A militar atua até a porta da delegacia, a partir daí assume a policia civil. Acontece que muitas vezes as coisas ficam embaralhadas", ressaltou.
O jurista lembrou, por exemplo, a dificuldade para se investigar um crime cometido por um policial militar em encontro com supostos bandidos, que na verdade seriam "encontros para a eliminação de bandidos", em sua opinião.
Confronto
Ao comentar o embate entre PMs e policias civis, que, em greve há mais de um mês, tentavam chegar ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Bicudo preferiu não se posicionar sob uma suposta intransigência da administração estadual nas negociações.
Entretanto, ele acredita que tenha faltado bom senso e habilidade, por parte do governo em administrar a crise. "Na medida em que o governo já sabia que os policiais civis iriam ao palácio para reivindicar salários, e coloca barreira de policiais militares, é evidente que propicio o encontro, com todas as conseqüências que isso poderia causar", disse o jurista.
O ex-vice-prefeito disse, por outro lado, não acreditar que o episódio possa caracterizar um estado de ruptura das instituições. "Nos últimos tempos, até caminhava-se para uma maior harmonização das atuações das duas forças", observou.
Com relação às reivindicações dos grevistas, Bicudo disse considerar muito baixos os salários pagos aos policiais civis de São Paulo. "É por isso que existe o famoso ´bico´, que pode até ser a menor conseqüência, quando se pensa na participação de policiais em grupos de extermínio", mas lembrou que é uma realidade do país, não só de São Paulo.
Área de segurança
Para Hélio Bicudo, a resolução da Secretaria de Segurança Pública do Estado que proíbe manifestações nas imediações do Palácio dos Bandeirantes fere princípios constitucionais. "É arbitrário. A rua é pública até o muro das casas, sejam elas de quem for. Se formos seguir essa lógica, o mesmo deveria valer para ruas próximas a estádios de futebol, por exemplo", completa.
O inciso XVI, do artigo 5º, da Constituição Federal, assegura que "todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente´.
A reportagem de Última Instância procurou por telefone a Secretaria de Segurança Pública até as 20 horas da sexta-feira (17/10), mas não obteve resposta.
Sábado, 18 de outubro de 2008
Para Hélio Bicudo, confronto entre polícias reacende debate sobre unificação
William Maia
O confronto entre policiais militares e civis ocorrido em São Paulo nesta quinta-feira (17/10) deve colocar novamente em debate a questão da unificação das corporações, com a desmilitarização dos agentes de segurança do Estado. Essa é a opinião do jurista e ex-vice-prefeito da Capital Hélio Bicudo. "Não existe segurança pública de verdade com duas forças, cada uma caminhando para um lado diferente", afirmou.
Para o jurista, sempre existiu muita resistência à questão, especialmente por parte dos militares. "É um debate que já deveria ter sido feito, mas que não aconteceu por causa do lobby da Policia Militar, aliada ao Exército —não podemos esquecer que a PM é uma força de reserva do Exército—, que tem grande interesse de manter a polícia militarizada", disse Bicudo.
Em sua opinião, um ponto importante a ser questionado seria a existência de uma Justiça separada para os policiais militares. "Agentes que cometem crimes comuns são julgados como se tivessem cometido crimes militares, em uma Justiça que é corporativa. Basta ver os resultados dos julgamentos para se verificar que o índice de impunidade é quase de 90%. O que é uma mola para a violência policial", afirma Bicudo.
Ele destacou também que a atual organização da PM seria fruto de uma herança da Ditadura Militar, que deu a ela as atribuições que conserva até hoje, por causa do lobby militar na Assembléia Constituinte. "A Carta de 88 fez um corte entre a atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil. A militar atua até a porta da delegacia, a partir daí assume a policia civil. Acontece que muitas vezes as coisas ficam embaralhadas", ressaltou.
O jurista lembrou, por exemplo, a dificuldade para se investigar um crime cometido por um policial militar em encontro com supostos bandidos, que na verdade seriam "encontros para a eliminação de bandidos", em sua opinião.
Confronto
Ao comentar o embate entre PMs e policias civis, que, em greve há mais de um mês, tentavam chegar ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Bicudo preferiu não se posicionar sob uma suposta intransigência da administração estadual nas negociações.
Entretanto, ele acredita que tenha faltado bom senso e habilidade, por parte do governo em administrar a crise. "Na medida em que o governo já sabia que os policiais civis iriam ao palácio para reivindicar salários, e coloca barreira de policiais militares, é evidente que propicio o encontro, com todas as conseqüências que isso poderia causar", disse o jurista.
O ex-vice-prefeito disse, por outro lado, não acreditar que o episódio possa caracterizar um estado de ruptura das instituições. "Nos últimos tempos, até caminhava-se para uma maior harmonização das atuações das duas forças", observou.
Com relação às reivindicações dos grevistas, Bicudo disse considerar muito baixos os salários pagos aos policiais civis de São Paulo. "É por isso que existe o famoso ´bico´, que pode até ser a menor conseqüência, quando se pensa na participação de policiais em grupos de extermínio", mas lembrou que é uma realidade do país, não só de São Paulo.
Área de segurança
Para Hélio Bicudo, a resolução da Secretaria de Segurança Pública do Estado que proíbe manifestações nas imediações do Palácio dos Bandeirantes fere princípios constitucionais. "É arbitrário. A rua é pública até o muro das casas, sejam elas de quem for. Se formos seguir essa lógica, o mesmo deveria valer para ruas próximas a estádios de futebol, por exemplo", completa.
O inciso XVI, do artigo 5º, da Constituição Federal, assegura que "todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente´.
A reportagem de Última Instância procurou por telefone a Secretaria de Segurança Pública até as 20 horas da sexta-feira (17/10), mas não obteve resposta.
Sábado, 18 de outubro de 2008
sexta-feira, outubro 17, 2008
AQUIDAUANA - MS: ARRANCADA PARA ERRADICAÇÃO DO "CORONELISMO" POLÍTICO
Eleições em Aquidauana repercutem no Estado
Crepúsculo dos coronéis
Do Jornal Boca do Povo
www.bocadopovonews.com.br
“Durante décadas os herdeiros do falecido ‘coronel’ Zelito mandaram
e desmandaram na pequena Aquidauana. Nesta eleição o Povo resolveu virar essa página. Quando outras cidades que ainda vivem com o pé no ‘coronelismo’ seguirão esse exemplo?”
O povo de Aquidauana virou a página das elites fazendeiras, forçando a cidade ingressar no surto de progresso ao romper com a esmaecida figura do “coronelismo” que sobreviveu neste Estado desde os primórdios do século passado. A vitória do empresário Fauzi Suleiman (PMDB), que derrotou Odilon Ribeiro, neto do “último dos coronéis”, inaugura uma nova era dos destinos da cidade. Tio do atual prefeito Felipe Orro, Odilon é cunhado do ex-deputado Roberto Moacar Orro, que antes de encerrar sua vida pública presenteou o filho com a administração da cidade.
Felipe Orro foi o derradeiro herdeiro do “coronelismo” inaugurado por seu avô, o ‘coronel’ Zelito, que administrou a cidade por três mandatos a partir de 1958. Felipe foi um prefeito sem tino administrativo. Comenta-se, que as suas mais importantes decisões administrativas e políticas foram comandadas por sua mãe, filha de Zelito, portanto, na atual administração o prefeito que não fez sucessor pode não ter passado de uma espécie de ‘tertius” da própria mãe.
A cidade, considerada portão do Pantanal, famosa pela sua “TFP” (Tradicional Família Pecuarista), manteve até 05 de outubro a hegemonia política da elite fazendeira, até que os currais eleitorais estouraram. O aristocrático e seleto grupo iniciado por Tico Ribeiro, agonizou e capitulou.
A derrota de Odilon Ribeiro fecha as cortinas da “Era de Coronelismo” deixada para trás. Aquidauana se liberta do fantasma com mais de 50 anos de atraso. Sua política da época do “pé-de-botina” ruiu. Nos momentos finais ainda mostrou os ameaçadores dentes de uma engrenagem que teimava em moer o prestígio dos oponentes, sendo necessária a intervenção da Força Nacional para conter os acirrados ânimos. A eleição de Fauzi – o Libertador – pode ser entendida como uma vitória do povo. Muitas cidades sul-matogrossenses ainda vivem no “cabresto político” de decadentes “elites fazendeiras” que ainda mandam na sua política num processo de transferência de poderes para os mais novos. São os “herdeiros” dos antigos “coronéis”. Alguns demonstram inteligência administrativa como o prefeito Humberto Rezende (PMDB), de Terenos, que recebeu a cidade de porteira fechada, presenteada pelo seu avô, o ex-prefeito Alonso Honostório de Rezende, cassado da administração por corrupção e compra de votos. Beto foi reeleito, recebendo nas urnas 74,4% dos votos.
Coronelismo
Símbolo de autoritarismo e impunidade, o coronelismo remonta ao caudilhismo e o caciquismo dos tempos da colonização. Ganhou força no primeiro reinado, chegando ao final do século XIX tomando conta da cena política brasileira.
Conjunto de ações políticas de latifundiários – coronéis – em caráter local, regional ou federal, onde se aplica o domínio econômico e social para a manipulação eleitoral em causa própria ou de particulares, o fenômeno, que se findou em Aquidauana, ainda sobrevive em algumas cidades sul-matogrossenses dependentes da pecuária.
Fenômeno social e político típico da República Velha, caracterizado pelo prestigio de um chefe político e por seu poder de mando, as raízes do coronelismo provem da tradição patriarcal brasileira e do arcaísmo da estrutura agropecuária no interior remoto do país. Surgida com a criação da Guarda Nacional em 1831, pelo governo imperial, as milícias e ordenanças foram extintas e substituídas pela nova corporação.
A Guarda Nacional passou a defender a integridade do império e a Constituição. Como os quadros da corporação eram nomeados pelo governo central ou pelos presidentes de província, iniciou-se um longo processo de tráfico de influencias e corrupção política. Como o Brasil se baseava estruturalmente em oligarquias, esses líderes, os grandes latifundiários e oligarcas, começaram a financiar campanhas políticas de seus afilhados, e ao mesmo tempo ganhar o poder de comandar a Guarda Nacional.
Devido a esta estrutura, a patente de coronel da Guarda Nacional, passou a ser equivalente a um título nobiliárquico, concedido de preferência aos grandes proprietários de terras. Desta forma conseguiram adquirir autoridade para impor a ordem sobre o povo e escravos. Devido ao seu território continental, portanto à falta de mecanismos de vigilância direta dos coronéis pelo poder central, e pela população pobre e ignorante, o Brasil passou a ser refém dos coronéis, que por sua vez ‘personificaram a invasão particular da autoridade pública”.
O sistema criado pelo coronelismo passou a favorecer os grandes proprietários que iniciaram a invasão, a tomada de terras pela força e a expulsão do pequeno produtor rural, que passou a se transformar numa figura servil em nome dos novos senhores. Portanto, surgiu a figura do coronel sem cargo, qualificado pelo prestígio e pela capacidade de mobilização eleitoral.
O “coronelismo” aquidauanense surgiu depois do episódio da Rusga, e iniciou com a montagem da Fazenda Taboco, numa área de mais de 300 mil hectares. Desses investimentos surgiu a cidade de Aquidauana e implantou-se o poder político nas mãos de uma única família.
Do Jornal Boca do Povo
www.bocadopovonews.com.br
Divulgação: Assessoria
Eleições em Aquidauana repercutem no Estado
Crepúsculo dos coronéis
Do Jornal Boca do Povo
www.bocadopovonews.com.br
“Durante décadas os herdeiros do falecido ‘coronel’ Zelito mandaram
e desmandaram na pequena Aquidauana. Nesta eleição o Povo resolveu virar essa página. Quando outras cidades que ainda vivem com o pé no ‘coronelismo’ seguirão esse exemplo?”
O povo de Aquidauana virou a página das elites fazendeiras, forçando a cidade ingressar no surto de progresso ao romper com a esmaecida figura do “coronelismo” que sobreviveu neste Estado desde os primórdios do século passado. A vitória do empresário Fauzi Suleiman (PMDB), que derrotou Odilon Ribeiro, neto do “último dos coronéis”, inaugura uma nova era dos destinos da cidade. Tio do atual prefeito Felipe Orro, Odilon é cunhado do ex-deputado Roberto Moacar Orro, que antes de encerrar sua vida pública presenteou o filho com a administração da cidade.
Felipe Orro foi o derradeiro herdeiro do “coronelismo” inaugurado por seu avô, o ‘coronel’ Zelito, que administrou a cidade por três mandatos a partir de 1958. Felipe foi um prefeito sem tino administrativo. Comenta-se, que as suas mais importantes decisões administrativas e políticas foram comandadas por sua mãe, filha de Zelito, portanto, na atual administração o prefeito que não fez sucessor pode não ter passado de uma espécie de ‘tertius” da própria mãe.
A cidade, considerada portão do Pantanal, famosa pela sua “TFP” (Tradicional Família Pecuarista), manteve até 05 de outubro a hegemonia política da elite fazendeira, até que os currais eleitorais estouraram. O aristocrático e seleto grupo iniciado por Tico Ribeiro, agonizou e capitulou.
A derrota de Odilon Ribeiro fecha as cortinas da “Era de Coronelismo” deixada para trás. Aquidauana se liberta do fantasma com mais de 50 anos de atraso. Sua política da época do “pé-de-botina” ruiu. Nos momentos finais ainda mostrou os ameaçadores dentes de uma engrenagem que teimava em moer o prestígio dos oponentes, sendo necessária a intervenção da Força Nacional para conter os acirrados ânimos. A eleição de Fauzi – o Libertador – pode ser entendida como uma vitória do povo. Muitas cidades sul-matogrossenses ainda vivem no “cabresto político” de decadentes “elites fazendeiras” que ainda mandam na sua política num processo de transferência de poderes para os mais novos. São os “herdeiros” dos antigos “coronéis”. Alguns demonstram inteligência administrativa como o prefeito Humberto Rezende (PMDB), de Terenos, que recebeu a cidade de porteira fechada, presenteada pelo seu avô, o ex-prefeito Alonso Honostório de Rezende, cassado da administração por corrupção e compra de votos. Beto foi reeleito, recebendo nas urnas 74,4% dos votos.
Coronelismo
Símbolo de autoritarismo e impunidade, o coronelismo remonta ao caudilhismo e o caciquismo dos tempos da colonização. Ganhou força no primeiro reinado, chegando ao final do século XIX tomando conta da cena política brasileira.
Conjunto de ações políticas de latifundiários – coronéis – em caráter local, regional ou federal, onde se aplica o domínio econômico e social para a manipulação eleitoral em causa própria ou de particulares, o fenômeno, que se findou em Aquidauana, ainda sobrevive em algumas cidades sul-matogrossenses dependentes da pecuária.
Fenômeno social e político típico da República Velha, caracterizado pelo prestigio de um chefe político e por seu poder de mando, as raízes do coronelismo provem da tradição patriarcal brasileira e do arcaísmo da estrutura agropecuária no interior remoto do país. Surgida com a criação da Guarda Nacional em 1831, pelo governo imperial, as milícias e ordenanças foram extintas e substituídas pela nova corporação.
A Guarda Nacional passou a defender a integridade do império e a Constituição. Como os quadros da corporação eram nomeados pelo governo central ou pelos presidentes de província, iniciou-se um longo processo de tráfico de influencias e corrupção política. Como o Brasil se baseava estruturalmente em oligarquias, esses líderes, os grandes latifundiários e oligarcas, começaram a financiar campanhas políticas de seus afilhados, e ao mesmo tempo ganhar o poder de comandar a Guarda Nacional.
Devido a esta estrutura, a patente de coronel da Guarda Nacional, passou a ser equivalente a um título nobiliárquico, concedido de preferência aos grandes proprietários de terras. Desta forma conseguiram adquirir autoridade para impor a ordem sobre o povo e escravos. Devido ao seu território continental, portanto à falta de mecanismos de vigilância direta dos coronéis pelo poder central, e pela população pobre e ignorante, o Brasil passou a ser refém dos coronéis, que por sua vez ‘personificaram a invasão particular da autoridade pública”.
O sistema criado pelo coronelismo passou a favorecer os grandes proprietários que iniciaram a invasão, a tomada de terras pela força e a expulsão do pequeno produtor rural, que passou a se transformar numa figura servil em nome dos novos senhores. Portanto, surgiu a figura do coronel sem cargo, qualificado pelo prestígio e pela capacidade de mobilização eleitoral.
O “coronelismo” aquidauanense surgiu depois do episódio da Rusga, e iniciou com a montagem da Fazenda Taboco, numa área de mais de 300 mil hectares. Desses investimentos surgiu a cidade de Aquidauana e implantou-se o poder político nas mãos de uma única família.
Do Jornal Boca do Povo
www.bocadopovonews.com.br
Divulgação: Assessoria
quinta-feira, outubro 16, 2008
'Com ACM, morre o coronelismo?' (Flávio Aguiar – Carta Maior)
Da 'Carta Maior', por sugestão do Cristiano F. Cezar (que diz que esse artigo tem muita coisa a ver com a nossa realidade local):
Com a morte de Antonio Carlos Magalhães, que já foi chamado de tudo, de Toninho Malvadeza a Condestável da Nova República, desaparece um dos mais expressivos herdeiros do estilo coronelista de exercer o poder.
Flávio Aguiar – Carta Maior
SÃO PAULO - Antonio Carlos Magalhães não era um coronel tradicional. Seu poder não vinha, originalmente, da posse da terra. Era ligado a impérios da comunicação e aos centros urbanos. Mas tinha o estilo dos velhos coronéis, talvez mais do que ninguém. Sua morte, aos 79 anos, é mais um sinal dos tempos, de que pelo menos na política institucional este estilo vem definhando, substituído por outros tipos de conluio e dominação.
O coronelismo possuía duas características fundamentais: o mandonismo (que podia ou não se aliar ao carisma) pessoal e a agregação tribal. Antonio Carlos Magalhães praticava as duas, e tinha carisma pessoal na Bahia, sem dúvida. Foi partícipe de uma tragédia política e familiar: a morte do filho Luís Eduardo Magalhães, na casa dos quarenta, que era para ser o grande sucessor "moderno" do patriarca. O deputado federal ACM Neto e o filho do velho senador, que o substituirá na tribuna, ainda não estão à altura de serem considerados de fato "sucessores" de ACM, embora sejam seus herdeiros políticos mais próximos.
O poder dos coronéis, que começou a medrar no Brasil graças à herança colonial e à formação da Guarda Nacional no Império, afirmou-se por completo com a Proclamação da República. Foi estilo político dominante até 1930, quando Vargas, centralizador em todos os seus estilos de governo, tanto o autoritário quanto o popular, fez seu alcance e poder declinar graças à ampliação (antes do Estado Novo) do poder de voto das massas urbanas (inclusive as mulheres) e sua política de industrialização.
Por isso nunca foi perdoado pelos velhos coronéis, nem por seus herdeiros "modernos", os oligarcas da imprensa brasileira, onde se reproduzia o estilo coronel de viver em política: mandonismo, tribalismo, reconhecimento de sua própria casta como a única preparada para exercer (ou poder falar para e do) poder.
O golpe de 1964 criou uma esdrúxula mas compreensível aliança política que fez remanescer, transformado, o estilo coronel de fazer política. Os golpistas, tanto os militares quanto os modernos empresários e tecnocratas dos centros urbanos do país, aliaram-se aos remanescentes do coronelismo nordestino. E num primeiro momento foram unanimemente apoiados pela imprensa de espírito oligarca. Assim, se a classe dos velhos coronéis já era quase parte da história pregressa, seu estilo sobreviveu nos centros urbanos que impulsionaram a modernização conservadora e excludente inclusive do próprio setor rural, durante o regime de 64 e a Nova República posterior.
Isso ajuda a entender a extensão do poder do senador agora falecido, que chegou a criar o "carlismo", a palavra e o agrupamento (tribo) hegemônicos na Bahia até as eleições recentes para prefeito e governador. A eleição surpreendente de Jaques Wagner, do PT baiano, ainda no primeiro turno, para o governo estadual, consolidou a impressão de que o carlismo encontrara seu Waterloo.
Entretanto, ainda está pra se ver se de fato o coronelismo está morrendo no Brasil, ou está se transformando num novo estilo tribal, desenvolvendo aquilo que os especialistas vêem como uma forma limite do coronelismo, que era o "colegiado". Hoje a política conservadora (mas também 'a esquerda, com freqüência) se faz em torno de colegiados que se agregam em torno de uma grife eleitoral. Por sua vez, a mídia oligárquica se organiza em torno de colegiados de grifes jornalísticas que desatam em quase uníssono campanhas antiesquerda e antipovo na política. Como quase tudo no Brasil, o coronelismo não morre, mas se transforma.
Escrito por missioneiro às 21h31
[(0) Comente] [envie esta mensagem] [link]
Da 'Carta Maior', por sugestão do Cristiano F. Cezar (que diz que esse artigo tem muita coisa a ver com a nossa realidade local):
Com a morte de Antonio Carlos Magalhães, que já foi chamado de tudo, de Toninho Malvadeza a Condestável da Nova República, desaparece um dos mais expressivos herdeiros do estilo coronelista de exercer o poder.
Flávio Aguiar – Carta Maior
SÃO PAULO - Antonio Carlos Magalhães não era um coronel tradicional. Seu poder não vinha, originalmente, da posse da terra. Era ligado a impérios da comunicação e aos centros urbanos. Mas tinha o estilo dos velhos coronéis, talvez mais do que ninguém. Sua morte, aos 79 anos, é mais um sinal dos tempos, de que pelo menos na política institucional este estilo vem definhando, substituído por outros tipos de conluio e dominação.
O coronelismo possuía duas características fundamentais: o mandonismo (que podia ou não se aliar ao carisma) pessoal e a agregação tribal. Antonio Carlos Magalhães praticava as duas, e tinha carisma pessoal na Bahia, sem dúvida. Foi partícipe de uma tragédia política e familiar: a morte do filho Luís Eduardo Magalhães, na casa dos quarenta, que era para ser o grande sucessor "moderno" do patriarca. O deputado federal ACM Neto e o filho do velho senador, que o substituirá na tribuna, ainda não estão à altura de serem considerados de fato "sucessores" de ACM, embora sejam seus herdeiros políticos mais próximos.
O poder dos coronéis, que começou a medrar no Brasil graças à herança colonial e à formação da Guarda Nacional no Império, afirmou-se por completo com a Proclamação da República. Foi estilo político dominante até 1930, quando Vargas, centralizador em todos os seus estilos de governo, tanto o autoritário quanto o popular, fez seu alcance e poder declinar graças à ampliação (antes do Estado Novo) do poder de voto das massas urbanas (inclusive as mulheres) e sua política de industrialização.
Por isso nunca foi perdoado pelos velhos coronéis, nem por seus herdeiros "modernos", os oligarcas da imprensa brasileira, onde se reproduzia o estilo coronel de viver em política: mandonismo, tribalismo, reconhecimento de sua própria casta como a única preparada para exercer (ou poder falar para e do) poder.
O golpe de 1964 criou uma esdrúxula mas compreensível aliança política que fez remanescer, transformado, o estilo coronel de fazer política. Os golpistas, tanto os militares quanto os modernos empresários e tecnocratas dos centros urbanos do país, aliaram-se aos remanescentes do coronelismo nordestino. E num primeiro momento foram unanimemente apoiados pela imprensa de espírito oligarca. Assim, se a classe dos velhos coronéis já era quase parte da história pregressa, seu estilo sobreviveu nos centros urbanos que impulsionaram a modernização conservadora e excludente inclusive do próprio setor rural, durante o regime de 64 e a Nova República posterior.
Isso ajuda a entender a extensão do poder do senador agora falecido, que chegou a criar o "carlismo", a palavra e o agrupamento (tribo) hegemônicos na Bahia até as eleições recentes para prefeito e governador. A eleição surpreendente de Jaques Wagner, do PT baiano, ainda no primeiro turno, para o governo estadual, consolidou a impressão de que o carlismo encontrara seu Waterloo.
Entretanto, ainda está pra se ver se de fato o coronelismo está morrendo no Brasil, ou está se transformando num novo estilo tribal, desenvolvendo aquilo que os especialistas vêem como uma forma limite do coronelismo, que era o "colegiado". Hoje a política conservadora (mas também 'a esquerda, com freqüência) se faz em torno de colegiados que se agregam em torno de uma grife eleitoral. Por sua vez, a mídia oligárquica se organiza em torno de colegiados de grifes jornalísticas que desatam em quase uníssono campanhas antiesquerda e antipovo na política. Como quase tudo no Brasil, o coronelismo não morre, mas se transforma.
Escrito por missioneiro às 21h31
[(0) Comente] [envie esta mensagem] [link]
terça-feira, outubro 14, 2008
Mercados têm dia de euforia com socorro sistêmico a bancos
O Estado de S. Paulo
domingo, outubro 12, 2008
Falta de liderança global agrava crise financeira
Folha de S. Paulo
A crise global já leva autoridades a reconhecer falhas na maneira como o mundo vem sendo governado e a propor uma “nova direção”. “Precisamos de um grupo financeiro mundial, um G8 ampliado, para tratar de um novo ordenamento das relações financeiras globais”, disse o ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, à edição da revista “Der Spiegel”. Esse novo G8 incluiria “potências econômicas emergentes como Brasil, Índia e China”. Para Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, o G7 “não está funcionando”. A direção do FMI defende uma nova arquitetura regulatória global. Nos Estados Unidos, o vácuo de poder pré-eleitoral levou o presidente George W. Bush a instituir um gabinete de transição, o primeiro desde 92, para conversar com as campanhas de Barack Obama e John McCain na quarta-feira. (pág. 1 e Dinheiro)
Folha de S. Paulo
A crise global já leva autoridades a reconhecer falhas na maneira como o mundo vem sendo governado e a propor uma “nova direção”. “Precisamos de um grupo financeiro mundial, um G8 ampliado, para tratar de um novo ordenamento das relações financeiras globais”, disse o ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, à edição da revista “Der Spiegel”. Esse novo G8 incluiria “potências econômicas emergentes como Brasil, Índia e China”. Para Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, o G7 “não está funcionando”. A direção do FMI defende uma nova arquitetura regulatória global. Nos Estados Unidos, o vácuo de poder pré-eleitoral levou o presidente George W. Bush a instituir um gabinete de transição, o primeiro desde 92, para conversar com as campanhas de Barack Obama e John McCain na quarta-feira. (pág. 1 e Dinheiro)
sábado, outubro 11, 2008
Banco Central da China promete cooperação para frear crise global (Sistêmica)
e cooperação internacional com outras entidades centrais para atenuar os efeitos da crise financeira e conseguir a estabilidade dos mercados.
Em entrevista à emissora estatal CFTV, um porta-voz do banco central chinês declarou que a entidade "fortalecerá a cooperação com as instituições financeiras internacionais e os bancos centrais para combater conjuntamente a crise global e os riscos financeiros".
Na quarta-feira passada (8), o PBOC anunciou um corte de 0,27 ponto percentual nas taxas de juros, fixados agora em 6,93%, o segundo movimento de baixa em apenas três semanas.
Segundo o porta-voz, "a cooperação abrangerá políticas monetárias e tributárias, a indústria, exportações e políticas de regulação financeira, para ajudar a economia doméstica e equilibrar o âmbito internacional".
e cooperação internacional com outras entidades centrais para atenuar os efeitos da crise financeira e conseguir a estabilidade dos mercados.
Em entrevista à emissora estatal CFTV, um porta-voz do banco central chinês declarou que a entidade "fortalecerá a cooperação com as instituições financeiras internacionais e os bancos centrais para combater conjuntamente a crise global e os riscos financeiros".
Na quarta-feira passada (8), o PBOC anunciou um corte de 0,27 ponto percentual nas taxas de juros, fixados agora em 6,93%, o segundo movimento de baixa em apenas três semanas.
Segundo o porta-voz, "a cooperação abrangerá políticas monetárias e tributárias, a indústria, exportações e políticas de regulação financeira, para ajudar a economia doméstica e equilibrar o âmbito internacional".
quarta-feira, outubro 01, 2008
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA; PAÍS ONDE O FRACASSO É RECOMPENSADO
Na atual crise financeira, o modelo de capitalismo dos Estados Unidos implodiu com um grande estrondo. Mas o governo Bush está tentando extinguir as chamas com mais combustível, em vez de água, e quer que os apostadores de Wall Street sejam recompensados pelo fracasso
Gabor Steingart
Em Washington (EUA)
Mais de cem anos atrás, o sociólogo alemão Georg Simmel criticou os bancos por ficarem cada vez maiores e mais poderosos do que as igrejas. A sua principal queixa - a de que o dinheiro é o novo deus dos nossos tempos - ainda é ouvida nos dias de hoje. Se Simmel estava certo, e há indicações de que de fato estava, a declaração teria que ser modificada para coadunar-se com as circunstâncias atuais: nem todo mundo reza para o mesmo deus.
Entre o grupo de adoradores de dinheiro, existem pelo menos três fés. A primeira é a dos Puritanos, que carregam pacientemente o dinheiro deles para as novas igrejas, esperando que ele se multiplique. O chinês típico, por exemplo, deposita 40% dos seus rendimentos em bancos. Que disciplina louvável! E há também os Pragmáticos. Estes poupam e emprestam, mas somente nesta ordem; a poupança é o fator que limita a ousadia deles. Esta linha é especialmente comum nos países germânicos, nos quais o banco de poupança é o templo religioso.
Finalmente, temos a comunidade religiosa dos Desinibidos, que é especialmente popular nos Estados Unidos. Os seus seguidores não se acanham em admitir a falta de cautela, o desperdício extravagante e a cobiça onipresente.
Eles chamam isto de "American way of life" ("estilo de vida americano"). Os seus membros vivem no aqui e no agora, sem fazer perguntas sobre o amanhã. Um empresta dinheiro ao outro, mesmo que o dinheiro não lhes pertença. Em vez disso, eles tomam quantias emprestadas com uma terceira pessoa, que prometeu conseguir o dinheiro com um quarto indivíduo - e assim por diante.
Southampton: o início do rastro de evidências
Esta comunidade religiosa é a mais fervorosa de todas. Há algum tempo, ela adotou a prática de tratar dinheiro antecipado como dinheiro real e de entender desejo como realidade. Atualmente ela não conta mais com nenhum fragmento de inibição.
Como todos sabiam que havia mais desejos do que dólares, o resultado inevitável foi uma certa lacuna de financiamento, ou déficit. Capitalismo sem capital - o núcleo audacioso desta inovação - não poderia funcionar. Não há salvação terrena - pelo menos esta foi uma conclusão quanto à qual o antigo Deus, aquele que carregou a cruz, e o novo deus, o que traz cifrões nos olhos, poderiam concordar.
E, assim, o inevitável ocorreu: o big bang. Três entre cada cinco bancos de investimento dos Estados Unidos perderam a independência, e os outros dois ainda estão afundando. Dois bancos de hipotecas e uma companhia de seguros encontram-se agora sob administração governamental.
O sistema financeiro global foi abalado, horrorizando os membros das outras duas fés. Pode haver três religiões, mas só há um céu. Se este cair, todos morrem.
Uma busca por evidências a fim de identificar os responsáveis deveria provavelmente começar em Southampton, um reduto da elite endinheirada. Nesta cidade, na parte leste de Long Island, perto da cidade de Nova York, é possível presenciar o quanto a cobiça pode ser atraente.
Trata-se de um lugar no qual as opções de ações foram transformadas às centenas em castelos de contos de fadas à beira-mar. Aproveitando-se das brechas tarifárias, os gurus financeiros de Wall Street conseguiram retirar os seus bônus da cidade mais ou menos intactos. Segundo a legislação tributária dos Estados Unidos, a compensação na forma de ações e garantias é taxada em menos da metade do índice mais elevado de impostos. Como resultado, a taxa tributária que incide sobre os rendimentos de muitos banqueiros é inferior àquela a que estão sujeitos os salários das suas secretárias.
Como menos transformou-se em mais
Os donos destas mansões à beira-mar não estão lá neste momento, de forma que uma investigação mais profunda requer uma viagem de trem até Nova York. No arranha-céu de Midtown que abriga os escritórios do Lehman Brothers, que está em processo de encerramento da sua história, há muito o que descobrir a respeito da seqüência de eventos. Bilhões de dólares foram emprestados a pessoas que não tinham crédito para que elas adquirissem condomínios e casas de pouco valor. No jargão alegre e cínico dos banqueiros, esse tipo de empréstimo foi batizado de "NINA", acrônimo de "No Income, No Asset" ("Sem renda, sem bens").
Mas mesmo assim as coisas andavam bem no mundo dos financiadores. O aumento miraculoso da oferta de dinheiro contribuiu para que o preço de imóveis subisse mais de 70% entre 2000 e 2006. A indústria conseguiu obter lucros aumentando o risco. Pelo menos na folha de balanço, o menos se transformou em mais.
Em tempos melhores, alguém poderia ter chamado os banqueiros de empreendedores; atualmente, eles são chamados de irresponsáveis. Antes mesmo do surgimento da expressão banco de investimentos, Karl Marx sabia como as duas coisas estavam vinculadas: "O capital tem tanto horror à ausência de lucro ou de um lucro muito pequeno quanto a natureza tem horror ao vácuo. Com um lucro apropriado, o capital é despertado; com 10% de lucro, ele pode ser usado em qualquer lugar; com 20%, torna-se vivaz; com 50%, fica positivamente ousado; com 100%, ele esmagará com os pés todas as leis humanas; e com 300%, não existe crime que ele não se disponha a cometer, ainda que se arrisque a ir para a cadeia".
A fé de Paulson
Agora o rastro conduz de Nova York a Washington, onde o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, tem o seu gabinete na Avenida Pensilvânia. O seu ministério é tão importante que há um portão ligando o subsolo do Departamento do Tesouro ao da Casa Branca. A atitude adotada por Paulson em relação aos bancos foi a de deixá-los atuar livremente, e ele agora pretende assumir os prejuízos dessas instituições. Para os altos círculos financeiros, ele tornou-se algo como uma garantia extra. O objetivo dele é eliminar a ameaça de cadeia - mas não a cobiça.
Paulson já foi um banqueiro de Wall Street. Ele é um homem de boas maneiras e princípios firmes. Em tempos normais, ele tem fé no mercado, em Deus e em George W. Bush. Mas em tempos como estes, ele prefere depositar a sua fé no governo, no contribuinte e em Bush.
Ao contrário do que muito se anunciou, Paulson não pretende utilizar as rendas obtidas com impostos para financiar o pacote de socorro aos bancos. Em vez disso, a intenção dele é tomar novos empréstimos de bilhões de dólares em nome do Tesouro dos Estados Unidos. "Detesto o fato de termos que fazer tal coisa, mas isto é a melhor do que a única outra alternativa", disse ele na semana passada. O presidente já deu o seu sinal de aprovação.
É isso o que acontece com as comunidades religiosas quando sofrem pressões: elas tornam-se ainda mais fervorosas. A idéia é que o mesmo tipo de pensamento de curto prazo que provocou o desastre vá agora pôr um fim a esta situação calamitosa. O governo está tentando extinguir o fogo com combustível, e não com água. Na verdade, este é exatamente o mesmo combustível que deu início ao incêndio em Wall Street: dinheiro emprestado.
A única diferença é que os novos empréstimos não virão do sexto, do sétimo ou do oitavo membro da comunidade religiosa. Eles serão coletados de todos os contribuintes. Isso significaria o fim da separação entre igreja e Estado, sendo que Wall Street se tornaria a religião nacional.
Os pontos em comum com as outras duas comunidades religiosas já estão desaparecendo. Coisas que na época da tradicionalmente honrada economia de mercado eram consideradas inseparáveis - como valor e consideração, salário e desempenho, risco e responsabilidade - estão sendo agora rasgadas em nome do governo. O capitalismo atualmente exibido pelos Estados Unidos é uma versão rota e degradada daquilo que costumava ser.
As ações dos políticos estão amplificando, em vez de mitigar, os efeitos do fracasso econômico. O capitalismo no estilo norte-americano ainda não morreu, mas está simplesmente preparando o seu próprio falecimento. A história destes dias é a história de uma morte que já foi anunciada. O que nos leva a Miss Marple.
Começou um jogo perigoso com o tempo
A detetive amadora imaginada por Agatha Christie, baseada na avó da escritora, era equipada com algo mais do que apenas um senso de humor e uma compreensão da natureza humana. Ela também tinha experiência em relação a coisas óbvias que ninguém acredita serem possíveis - até que elas aconteçam. No seu romance de 1950, "A Murder is Announced" ("Convite para um Homicídio"), Christie olhou para o futuro de maneira cômica.
A história transcorre mais ou menos assim: certa manhã, os cidadãos leram a seguinte mensagem nos classificados de um jornal local: "Um assassinato foi anunciado e ocorrerá na sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30. Amigos, por favor aceitem isto, a única intimação". Na hora designada, metade da vila reuniu-se na casa onde o assassinato supostamente aconteceria. A advertência é tratada como uma piada frívola, que ninguém desejaria rejeitar. Serve-se sherry aos presentes. O grupo é tomado por um pânico coletivo. Exatamente às 18h30, as luzes apagam-se.
"Não é maravilhoso?", diz uma voz feminina. "Estou trêmula".
Quando as luzes voltam a acender-se - para a surpresa de todos - um crime foi cometido. E agora nós, assim como os presentes na sala em Little Paddocks, estamos de pé, sussurrando, tomados pelo medo coletivo, aguardando para ver o que acontecerá a seguir. E ninguém acredita seriamente que um crime de verdade está prestes a ocorrer.
"Todos estavam em silêncio e ninguém se movia. Todos olharam para o relógio... Quando a última nota terminou, todas as luzes apagaram-se. Murmúrios de alegria e gritinhos femininos de satisfação foram ouvidos no escuro. 'Está começando', gritou a senhora Harmon, extasiada".
Um futuro vendido
Quem quer que espere receber um alerta antecipado deveria simplesmente expandir o seu campo de visão enquanto as luzes permanecerem acesas.
As companhias de cartão de crédito dos Estados Unidos não estão em uma situação significativamente melhor do que os bancos. Elas também venderam o futuro e até mesmo uma parcela do período posterior a ele.
A indústria automobilística norte-americana também se encontra seriamente combalida e tem dificuldades para estender as suas linhas de crédito no mercado aberto. A indústria perdeu mais de 300 mil empregos desde 1999. Mas qual é o benefício disto se são os gerentes - e não os trabalhadores - os culpados pela crise? A enorme conta dos Estados Unidos com a compra de petróleo - cerca de US$ 500 bilhões (? 345 bilhões) - é atualmente paga com dinheiro emprestado pela China. A cada dia útil, a dívida externa dos Estados Unidos aumenta em quase US$ 1 bilhão (? 690 milhões).
Provavelmente a pílula mais amarga de engolir nos Estados Unidos de hoje é o fato de os lares privados não estarem administrando as suas finanças de maneira melhor do que os executivos de corporações. Estes lares vêem o reflexo de suas imagens nos banqueiros de Wall Street, e não uma espécie de figura destorcida de si próprios. "De fato, não conheço nenhum país no qual o amor pelo dinheiro tenha se estabelecido tão fortemente no sentimento dos homens", observou Alexis de Tocqueville 170 anos atrás.
A conversa há muito necessária entre o governo e os governados ainda não se materializou. Essa teria que ser uma conversa a respeito da relação entre a economia e os valores, sobre a recuperação daquilo que se perdeu, em vez de sobre expansão. A palavra frugalidade - que desapareceu do vocabulário dos Desinibidos - deveria ser reintroduzida.
Mas não há sinal de que nada disso esteja acontecendo. Os Estados Unidos de hoje são muito estadunidenses para sobreviverem na sua forma atual. Mas os Estados Unidos atuais são também muito orgulhosos para perceberem isto. Os fiéis dificilmente permitiriam que alguém os convertesse.
Assim, a nossa compreensão dos acontecimentos continua ficando cada vez menos clara. Teve início um jogo perigoso com o tempo.
"O ruído de duas balas sacudiu a complacência da sala. Subitamente, o jogo não era mais um jogo. Alguém gritou... 'Luzes'. 'Não consegue encontrar um isqueiro?'...'Oh, Archie, quero sair daqui'".
Tradução: UOL
Visite o site do Der Spiegel
Na atual crise financeira, o modelo de capitalismo dos Estados Unidos implodiu com um grande estrondo. Mas o governo Bush está tentando extinguir as chamas com mais combustível, em vez de água, e quer que os apostadores de Wall Street sejam recompensados pelo fracasso
Gabor Steingart
Em Washington (EUA)
Mais de cem anos atrás, o sociólogo alemão Georg Simmel criticou os bancos por ficarem cada vez maiores e mais poderosos do que as igrejas. A sua principal queixa - a de que o dinheiro é o novo deus dos nossos tempos - ainda é ouvida nos dias de hoje. Se Simmel estava certo, e há indicações de que de fato estava, a declaração teria que ser modificada para coadunar-se com as circunstâncias atuais: nem todo mundo reza para o mesmo deus.
Entre o grupo de adoradores de dinheiro, existem pelo menos três fés. A primeira é a dos Puritanos, que carregam pacientemente o dinheiro deles para as novas igrejas, esperando que ele se multiplique. O chinês típico, por exemplo, deposita 40% dos seus rendimentos em bancos. Que disciplina louvável! E há também os Pragmáticos. Estes poupam e emprestam, mas somente nesta ordem; a poupança é o fator que limita a ousadia deles. Esta linha é especialmente comum nos países germânicos, nos quais o banco de poupança é o templo religioso.
Finalmente, temos a comunidade religiosa dos Desinibidos, que é especialmente popular nos Estados Unidos. Os seus seguidores não se acanham em admitir a falta de cautela, o desperdício extravagante e a cobiça onipresente.
Eles chamam isto de "American way of life" ("estilo de vida americano"). Os seus membros vivem no aqui e no agora, sem fazer perguntas sobre o amanhã. Um empresta dinheiro ao outro, mesmo que o dinheiro não lhes pertença. Em vez disso, eles tomam quantias emprestadas com uma terceira pessoa, que prometeu conseguir o dinheiro com um quarto indivíduo - e assim por diante.
Southampton: o início do rastro de evidências
Esta comunidade religiosa é a mais fervorosa de todas. Há algum tempo, ela adotou a prática de tratar dinheiro antecipado como dinheiro real e de entender desejo como realidade. Atualmente ela não conta mais com nenhum fragmento de inibição.
Como todos sabiam que havia mais desejos do que dólares, o resultado inevitável foi uma certa lacuna de financiamento, ou déficit. Capitalismo sem capital - o núcleo audacioso desta inovação - não poderia funcionar. Não há salvação terrena - pelo menos esta foi uma conclusão quanto à qual o antigo Deus, aquele que carregou a cruz, e o novo deus, o que traz cifrões nos olhos, poderiam concordar.
E, assim, o inevitável ocorreu: o big bang. Três entre cada cinco bancos de investimento dos Estados Unidos perderam a independência, e os outros dois ainda estão afundando. Dois bancos de hipotecas e uma companhia de seguros encontram-se agora sob administração governamental.
O sistema financeiro global foi abalado, horrorizando os membros das outras duas fés. Pode haver três religiões, mas só há um céu. Se este cair, todos morrem.
Uma busca por evidências a fim de identificar os responsáveis deveria provavelmente começar em Southampton, um reduto da elite endinheirada. Nesta cidade, na parte leste de Long Island, perto da cidade de Nova York, é possível presenciar o quanto a cobiça pode ser atraente.
Trata-se de um lugar no qual as opções de ações foram transformadas às centenas em castelos de contos de fadas à beira-mar. Aproveitando-se das brechas tarifárias, os gurus financeiros de Wall Street conseguiram retirar os seus bônus da cidade mais ou menos intactos. Segundo a legislação tributária dos Estados Unidos, a compensação na forma de ações e garantias é taxada em menos da metade do índice mais elevado de impostos. Como resultado, a taxa tributária que incide sobre os rendimentos de muitos banqueiros é inferior àquela a que estão sujeitos os salários das suas secretárias.
Como menos transformou-se em mais
Os donos destas mansões à beira-mar não estão lá neste momento, de forma que uma investigação mais profunda requer uma viagem de trem até Nova York. No arranha-céu de Midtown que abriga os escritórios do Lehman Brothers, que está em processo de encerramento da sua história, há muito o que descobrir a respeito da seqüência de eventos. Bilhões de dólares foram emprestados a pessoas que não tinham crédito para que elas adquirissem condomínios e casas de pouco valor. No jargão alegre e cínico dos banqueiros, esse tipo de empréstimo foi batizado de "NINA", acrônimo de "No Income, No Asset" ("Sem renda, sem bens").
Mas mesmo assim as coisas andavam bem no mundo dos financiadores. O aumento miraculoso da oferta de dinheiro contribuiu para que o preço de imóveis subisse mais de 70% entre 2000 e 2006. A indústria conseguiu obter lucros aumentando o risco. Pelo menos na folha de balanço, o menos se transformou em mais.
Em tempos melhores, alguém poderia ter chamado os banqueiros de empreendedores; atualmente, eles são chamados de irresponsáveis. Antes mesmo do surgimento da expressão banco de investimentos, Karl Marx sabia como as duas coisas estavam vinculadas: "O capital tem tanto horror à ausência de lucro ou de um lucro muito pequeno quanto a natureza tem horror ao vácuo. Com um lucro apropriado, o capital é despertado; com 10% de lucro, ele pode ser usado em qualquer lugar; com 20%, torna-se vivaz; com 50%, fica positivamente ousado; com 100%, ele esmagará com os pés todas as leis humanas; e com 300%, não existe crime que ele não se disponha a cometer, ainda que se arrisque a ir para a cadeia".
A fé de Paulson
Agora o rastro conduz de Nova York a Washington, onde o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, tem o seu gabinete na Avenida Pensilvânia. O seu ministério é tão importante que há um portão ligando o subsolo do Departamento do Tesouro ao da Casa Branca. A atitude adotada por Paulson em relação aos bancos foi a de deixá-los atuar livremente, e ele agora pretende assumir os prejuízos dessas instituições. Para os altos círculos financeiros, ele tornou-se algo como uma garantia extra. O objetivo dele é eliminar a ameaça de cadeia - mas não a cobiça.
Paulson já foi um banqueiro de Wall Street. Ele é um homem de boas maneiras e princípios firmes. Em tempos normais, ele tem fé no mercado, em Deus e em George W. Bush. Mas em tempos como estes, ele prefere depositar a sua fé no governo, no contribuinte e em Bush.
Ao contrário do que muito se anunciou, Paulson não pretende utilizar as rendas obtidas com impostos para financiar o pacote de socorro aos bancos. Em vez disso, a intenção dele é tomar novos empréstimos de bilhões de dólares em nome do Tesouro dos Estados Unidos. "Detesto o fato de termos que fazer tal coisa, mas isto é a melhor do que a única outra alternativa", disse ele na semana passada. O presidente já deu o seu sinal de aprovação.
É isso o que acontece com as comunidades religiosas quando sofrem pressões: elas tornam-se ainda mais fervorosas. A idéia é que o mesmo tipo de pensamento de curto prazo que provocou o desastre vá agora pôr um fim a esta situação calamitosa. O governo está tentando extinguir o fogo com combustível, e não com água. Na verdade, este é exatamente o mesmo combustível que deu início ao incêndio em Wall Street: dinheiro emprestado.
A única diferença é que os novos empréstimos não virão do sexto, do sétimo ou do oitavo membro da comunidade religiosa. Eles serão coletados de todos os contribuintes. Isso significaria o fim da separação entre igreja e Estado, sendo que Wall Street se tornaria a religião nacional.
Os pontos em comum com as outras duas comunidades religiosas já estão desaparecendo. Coisas que na época da tradicionalmente honrada economia de mercado eram consideradas inseparáveis - como valor e consideração, salário e desempenho, risco e responsabilidade - estão sendo agora rasgadas em nome do governo. O capitalismo atualmente exibido pelos Estados Unidos é uma versão rota e degradada daquilo que costumava ser.
As ações dos políticos estão amplificando, em vez de mitigar, os efeitos do fracasso econômico. O capitalismo no estilo norte-americano ainda não morreu, mas está simplesmente preparando o seu próprio falecimento. A história destes dias é a história de uma morte que já foi anunciada. O que nos leva a Miss Marple.
Começou um jogo perigoso com o tempo
A detetive amadora imaginada por Agatha Christie, baseada na avó da escritora, era equipada com algo mais do que apenas um senso de humor e uma compreensão da natureza humana. Ela também tinha experiência em relação a coisas óbvias que ninguém acredita serem possíveis - até que elas aconteçam. No seu romance de 1950, "A Murder is Announced" ("Convite para um Homicídio"), Christie olhou para o futuro de maneira cômica.
A história transcorre mais ou menos assim: certa manhã, os cidadãos leram a seguinte mensagem nos classificados de um jornal local: "Um assassinato foi anunciado e ocorrerá na sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30. Amigos, por favor aceitem isto, a única intimação". Na hora designada, metade da vila reuniu-se na casa onde o assassinato supostamente aconteceria. A advertência é tratada como uma piada frívola, que ninguém desejaria rejeitar. Serve-se sherry aos presentes. O grupo é tomado por um pânico coletivo. Exatamente às 18h30, as luzes apagam-se.
"Não é maravilhoso?", diz uma voz feminina. "Estou trêmula".
Quando as luzes voltam a acender-se - para a surpresa de todos - um crime foi cometido. E agora nós, assim como os presentes na sala em Little Paddocks, estamos de pé, sussurrando, tomados pelo medo coletivo, aguardando para ver o que acontecerá a seguir. E ninguém acredita seriamente que um crime de verdade está prestes a ocorrer.
"Todos estavam em silêncio e ninguém se movia. Todos olharam para o relógio... Quando a última nota terminou, todas as luzes apagaram-se. Murmúrios de alegria e gritinhos femininos de satisfação foram ouvidos no escuro. 'Está começando', gritou a senhora Harmon, extasiada".
Um futuro vendido
Quem quer que espere receber um alerta antecipado deveria simplesmente expandir o seu campo de visão enquanto as luzes permanecerem acesas.
As companhias de cartão de crédito dos Estados Unidos não estão em uma situação significativamente melhor do que os bancos. Elas também venderam o futuro e até mesmo uma parcela do período posterior a ele.
A indústria automobilística norte-americana também se encontra seriamente combalida e tem dificuldades para estender as suas linhas de crédito no mercado aberto. A indústria perdeu mais de 300 mil empregos desde 1999. Mas qual é o benefício disto se são os gerentes - e não os trabalhadores - os culpados pela crise? A enorme conta dos Estados Unidos com a compra de petróleo - cerca de US$ 500 bilhões (? 345 bilhões) - é atualmente paga com dinheiro emprestado pela China. A cada dia útil, a dívida externa dos Estados Unidos aumenta em quase US$ 1 bilhão (? 690 milhões).
Provavelmente a pílula mais amarga de engolir nos Estados Unidos de hoje é o fato de os lares privados não estarem administrando as suas finanças de maneira melhor do que os executivos de corporações. Estes lares vêem o reflexo de suas imagens nos banqueiros de Wall Street, e não uma espécie de figura destorcida de si próprios. "De fato, não conheço nenhum país no qual o amor pelo dinheiro tenha se estabelecido tão fortemente no sentimento dos homens", observou Alexis de Tocqueville 170 anos atrás.
A conversa há muito necessária entre o governo e os governados ainda não se materializou. Essa teria que ser uma conversa a respeito da relação entre a economia e os valores, sobre a recuperação daquilo que se perdeu, em vez de sobre expansão. A palavra frugalidade - que desapareceu do vocabulário dos Desinibidos - deveria ser reintroduzida.
Mas não há sinal de que nada disso esteja acontecendo. Os Estados Unidos de hoje são muito estadunidenses para sobreviverem na sua forma atual. Mas os Estados Unidos atuais são também muito orgulhosos para perceberem isto. Os fiéis dificilmente permitiriam que alguém os convertesse.
Assim, a nossa compreensão dos acontecimentos continua ficando cada vez menos clara. Teve início um jogo perigoso com o tempo.
"O ruído de duas balas sacudiu a complacência da sala. Subitamente, o jogo não era mais um jogo. Alguém gritou... 'Luzes'. 'Não consegue encontrar um isqueiro?'...'Oh, Archie, quero sair daqui'".
Tradução: UOL
Visite o site do Der Spiegel
segunda-feira, setembro 29, 2008
UMA VISÃO SISTÊMICA DO PANTANAL
Pantanal vale US$ 112 bilhões, diz estudo
CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo
Quanto vale um bioma? A pergunta pode parecer maluca, mas, se o bioma em questão for o Pantanal, ela já pode ser respondida: US$ 112 bilhões por ano, no mínimo. Várias ordens de grandeza mais que o máximo de US$ 414 milhões anuais que a devastação do local gera.
O cálculo foi feito por um pesquisador da Embrapa Pantanal, em Corumbá, e põe pela primeira vez em perspectiva o valor dos serviços ambientais prestados pela maior planície alagável fluvial do mundo, comparados com aquilo que é gerado pela pecuária, a mais rentável atividade econômica praticada na região.
Segundo o oceanógrafo e economista gaúcho André Steffens Moraes, "perdido no Pantanal desde 1989", um hectare preservado do bioma que detém a maior concentração de fauna das Américas vale entre US$ 8.100 e US$ 17.500 por ano. A conta é detalhada em sua tese de doutorado, recém-defendida na Universidade Federal de Pernambuco e disponível para download (www.cpap.embrapa.br/teses).
Nela, Moraes inclui valores potenciais de coisas como madeira, produtos florestais não-madeireiros e ecoturismo. Mas também de coisas que não estão nem podem ser colocadas facilmente no mercado, como o valor da polinização feita por aves e insetos, o controle de erosão e, principalmente, a oferta e regulação de água -produtos e serviços que são perdidos quando a vegetação tomba. "Eu analisei quanto a sociedade perde quando se desmata", disse o pesquisador.
Estilo Zé Leôncio
Com terras que ficam alagadas até 8 meses por ano, impróprias para a agricultura e abundantes em gramíneas, o Pantanal parece combinar com a pecuária, única atividade -além do turismo- rentável ali. Hoje há 5,3 milhões de cabeças no bioma, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pecuária também parece combinar com o Pantanal: como o capim faz parte do ecossistema, não é preciso recorrer ao desmatamento para criar gado. Há no bioma uma coexistência pacífica única no Brasil entre gado e fauna, que acaba tornando os fazendeiros da região conservacionistas, no melhor estilo Zé Leôncio (o fazendeiro consciencioso da novela "Pantanal", interpretado pelo ator Cláudio Marzo).
No jargão dos economistas, esse pecuaristas são considerados "satisficers" (saciadores) e não "maximizers" (maximizadores). Segundo Moraes, o gado é de certa forma bom para a fauna: com carne de sobra, a pressão de caça diminui.
Desmate na cordilheira
O problema é que viver como Zé Leôncio não é para quem está interessado em grandes lucros: "A pecuária é extensiva, então a rentabilidade é baixa", afirmou Moraes à Folha. Para ser exato, cada hectare de boi em pasto nativo rende US$ 12,5 ao ano para os produtores.
E é claro que pouca gente quer ser Zé Leôncio hoje em dia. A partir dos anos 1970, um aumento na demanda por carne associado a uma inundação no rio Taquari que diminuiu a área de pasto natural fez os fazendeiros começarem a derrubar as matas nas chamadas cordilheiras, as áreas de floresta que ficam secas o ano todo.
Sem a dor-de-cabeça de precisar tirar o gado todo ano quando o pasto alaga --que reduz o peso dos animais--, quem cria gado nas cordilheiras ganha mais dinheiro: US$ 28 por hectare ao ano.
Isso obviamente teve impacto direto sobre o bioma. Até 1991, apenas 545 mil hectares de mata nativa pantaneira haviam tombado. Em 2000 já era 1,2 milhão de hectares, ou 30% da área do Pantanal.
"O pecuarista não tem alternativa produtiva. O mercado o pressiona para desmatar e pôr pasto", diz Moraes. "Quando ele faz isso, as ONGs e a sociedade criticam, mas eu como pecuarista faria a mesma coisa."
Pantanal vale US$ 112 bilhões, diz estudo
CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo
Quanto vale um bioma? A pergunta pode parecer maluca, mas, se o bioma em questão for o Pantanal, ela já pode ser respondida: US$ 112 bilhões por ano, no mínimo. Várias ordens de grandeza mais que o máximo de US$ 414 milhões anuais que a devastação do local gera.
O cálculo foi feito por um pesquisador da Embrapa Pantanal, em Corumbá, e põe pela primeira vez em perspectiva o valor dos serviços ambientais prestados pela maior planície alagável fluvial do mundo, comparados com aquilo que é gerado pela pecuária, a mais rentável atividade econômica praticada na região.
Segundo o oceanógrafo e economista gaúcho André Steffens Moraes, "perdido no Pantanal desde 1989", um hectare preservado do bioma que detém a maior concentração de fauna das Américas vale entre US$ 8.100 e US$ 17.500 por ano. A conta é detalhada em sua tese de doutorado, recém-defendida na Universidade Federal de Pernambuco e disponível para download (www.cpap.embrapa.br/teses).
Nela, Moraes inclui valores potenciais de coisas como madeira, produtos florestais não-madeireiros e ecoturismo. Mas também de coisas que não estão nem podem ser colocadas facilmente no mercado, como o valor da polinização feita por aves e insetos, o controle de erosão e, principalmente, a oferta e regulação de água -produtos e serviços que são perdidos quando a vegetação tomba. "Eu analisei quanto a sociedade perde quando se desmata", disse o pesquisador.
Estilo Zé Leôncio
Com terras que ficam alagadas até 8 meses por ano, impróprias para a agricultura e abundantes em gramíneas, o Pantanal parece combinar com a pecuária, única atividade -além do turismo- rentável ali. Hoje há 5,3 milhões de cabeças no bioma, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pecuária também parece combinar com o Pantanal: como o capim faz parte do ecossistema, não é preciso recorrer ao desmatamento para criar gado. Há no bioma uma coexistência pacífica única no Brasil entre gado e fauna, que acaba tornando os fazendeiros da região conservacionistas, no melhor estilo Zé Leôncio (o fazendeiro consciencioso da novela "Pantanal", interpretado pelo ator Cláudio Marzo).
No jargão dos economistas, esse pecuaristas são considerados "satisficers" (saciadores) e não "maximizers" (maximizadores). Segundo Moraes, o gado é de certa forma bom para a fauna: com carne de sobra, a pressão de caça diminui.
Desmate na cordilheira
O problema é que viver como Zé Leôncio não é para quem está interessado em grandes lucros: "A pecuária é extensiva, então a rentabilidade é baixa", afirmou Moraes à Folha. Para ser exato, cada hectare de boi em pasto nativo rende US$ 12,5 ao ano para os produtores.
E é claro que pouca gente quer ser Zé Leôncio hoje em dia. A partir dos anos 1970, um aumento na demanda por carne associado a uma inundação no rio Taquari que diminuiu a área de pasto natural fez os fazendeiros começarem a derrubar as matas nas chamadas cordilheiras, as áreas de floresta que ficam secas o ano todo.
Sem a dor-de-cabeça de precisar tirar o gado todo ano quando o pasto alaga --que reduz o peso dos animais--, quem cria gado nas cordilheiras ganha mais dinheiro: US$ 28 por hectare ao ano.
Isso obviamente teve impacto direto sobre o bioma. Até 1991, apenas 545 mil hectares de mata nativa pantaneira haviam tombado. Em 2000 já era 1,2 milhão de hectares, ou 30% da área do Pantanal.
"O pecuarista não tem alternativa produtiva. O mercado o pressiona para desmatar e pôr pasto", diz Moraes. "Quando ele faz isso, as ONGs e a sociedade criticam, mas eu como pecuarista faria a mesma coisa."
domingo, setembro 28, 2008
Veja os principais pontos de projeto de lei sobre plano anticrise dos EUA
da Folha Online
com Efe e Associated Press
Líderes do Congresso americano e a Casa Branca anunciaram neste domingo um acordo sobre o plano de US$ 700 bilhões para combater a crise financeira que abala os EUA. O projeto de lei, com 106 páginas, deve ser votado amanhã pela Câmara dos Representantes (deputados) e o Senado americano, provavelmente à tarde, como adiantou a líder democrata Nancy Pelosi.
Leia a íntegra (em inglês) do projeto de lei americano
Entenda a crise financeira que atinge os EUA
Em linhas gerais, o projeto limita os poderes do Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos recursos, reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das instituições financeiras que quebraram, além de ampliar benefícios para os contribuintes.
Veja abaixo os principais pontos do plano:
* O Departamento do Tesouro dos EUA terá a sua disposição os US$ 700 bilhões requisitados pelo secretário Henry Paulson, mas o montante não ficará disponível de uma vez só. Do total, uma parcela de US$ 250 bilhões será liberada imediatamente e outros US$ 100 bilhões, somente se o presidente George W. Bush julgar necessário;
* O Congresso pode reter os US$ 350 bilhões restantes se não estiver satisfeito com o desempenho do programa.
* Os contribuintes vão receber direitos de compra de ações (warrants), de quem pode se beneficiar assim que as empresas beneficiadas pelo programa se recuperem;
* O governo vai limitar os ganhos dos principais executivos das companhias participantes do programa. Os chefes de empresas quebradas não poderão receber os benefícios multimilionários --conhecidos como "golden parachute"-- quando forem despedidos.
* O governo também vai elevar os impostos a empresas que paguem a seus executivos salários acima de US$ 500 mil por ano.
* O programa será supervisionado por um conselho, que deve incluir o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, entre outra altas autoridades;
* O governo poderá renegociar os prazos das hipotecas que vier a adquirir para ajudar os moradores com problemas em saldar suas dívidas, a fim de evitar despejos;
* O secretário do Tesouro poderá exigir dos bancos que comprem seguros de modo a ter alguma cobertura para suas carteiras de investimento que incluam títulos de alguma forma vinculados a hipotecas.
O teor geral do plano contempla tanto as principais exigências do secretário Henry Paulson quanto as principais críticas dos legisladores americanos ao teor do pacote, críticas essas que fizeram as negociações se arrastarem por uma semana.
Mesmo pressionado pela Casa Branca e pelo mercado financeiro, o Congresso insistiu em controlar a concentração de poderes exigida pelo Executivo para gerir a economia.
"Eu não conheço ninguém que goste que o centro do universo econômico esteja em Washington", comentou o senador Chris Dodd, presidente do Comitê bancário do Senado. Ele ressaltou: "o centro de gravidade está por aqui temporariamente. Deus permita que somente fique assim até que o crédito volte a circular de novo".
Leia Mais
Clique no Link seguinte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u449824.shtml
da Folha Online
com Efe e Associated Press
Líderes do Congresso americano e a Casa Branca anunciaram neste domingo um acordo sobre o plano de US$ 700 bilhões para combater a crise financeira que abala os EUA. O projeto de lei, com 106 páginas, deve ser votado amanhã pela Câmara dos Representantes (deputados) e o Senado americano, provavelmente à tarde, como adiantou a líder democrata Nancy Pelosi.
Leia a íntegra (em inglês) do projeto de lei americano
Entenda a crise financeira que atinge os EUA
Em linhas gerais, o projeto limita os poderes do Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos recursos, reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das instituições financeiras que quebraram, além de ampliar benefícios para os contribuintes.
Veja abaixo os principais pontos do plano:
* O Departamento do Tesouro dos EUA terá a sua disposição os US$ 700 bilhões requisitados pelo secretário Henry Paulson, mas o montante não ficará disponível de uma vez só. Do total, uma parcela de US$ 250 bilhões será liberada imediatamente e outros US$ 100 bilhões, somente se o presidente George W. Bush julgar necessário;
* O Congresso pode reter os US$ 350 bilhões restantes se não estiver satisfeito com o desempenho do programa.
* Os contribuintes vão receber direitos de compra de ações (warrants), de quem pode se beneficiar assim que as empresas beneficiadas pelo programa se recuperem;
* O governo vai limitar os ganhos dos principais executivos das companhias participantes do programa. Os chefes de empresas quebradas não poderão receber os benefícios multimilionários --conhecidos como "golden parachute"-- quando forem despedidos.
* O governo também vai elevar os impostos a empresas que paguem a seus executivos salários acima de US$ 500 mil por ano.
* O programa será supervisionado por um conselho, que deve incluir o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, entre outra altas autoridades;
* O governo poderá renegociar os prazos das hipotecas que vier a adquirir para ajudar os moradores com problemas em saldar suas dívidas, a fim de evitar despejos;
* O secretário do Tesouro poderá exigir dos bancos que comprem seguros de modo a ter alguma cobertura para suas carteiras de investimento que incluam títulos de alguma forma vinculados a hipotecas.
O teor geral do plano contempla tanto as principais exigências do secretário Henry Paulson quanto as principais críticas dos legisladores americanos ao teor do pacote, críticas essas que fizeram as negociações se arrastarem por uma semana.
Mesmo pressionado pela Casa Branca e pelo mercado financeiro, o Congresso insistiu em controlar a concentração de poderes exigida pelo Executivo para gerir a economia.
"Eu não conheço ninguém que goste que o centro do universo econômico esteja em Washington", comentou o senador Chris Dodd, presidente do Comitê bancário do Senado. Ele ressaltou: "o centro de gravidade está por aqui temporariamente. Deus permita que somente fique assim até que o crédito volte a circular de novo".
Leia Mais
Clique no Link seguinte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u449824.shtml
quinta-feira, setembro 25, 2008
Mundo tem chance de construir "economia real", diz presidente da Argentina
Sabrina Craide
Enviada Especial
Nova York - A presidenta da Argentina, Cristina Kirschner, disse hoje (25), em Nova York, que o mundo vive atualmente uma oportunidade histórica para construir uma “economia real”. Segundo ela, os instrumentos financeiros usados até hoje levaram a uma “economia de ficção”.
“Se pensava que se poderia produzir o dinheiro pelo próprio dinheiro, sem nenhum tipo de interação com a sociedade, com o trabalho, com a produção e sem a intervenção e regulação do estado”, disse. Segundo ela, ao contrário do que se pensava, a falta de regulação não é incentivadora da economia.
A presidenta comemorou o acordo do Congresso norte-americano para aprovar o pacote do governo para amenizar os efeitos da crise financeira. “Um acordo entre os dirigentes políticas para resolver os problemas de um país é sempre bom, nos Estados Unidos ou em qualquer parte”, afirmou Cristina.
Sabrina Craide
Enviada Especial
Nova York - A presidenta da Argentina, Cristina Kirschner, disse hoje (25), em Nova York, que o mundo vive atualmente uma oportunidade histórica para construir uma “economia real”. Segundo ela, os instrumentos financeiros usados até hoje levaram a uma “economia de ficção”.
“Se pensava que se poderia produzir o dinheiro pelo próprio dinheiro, sem nenhum tipo de interação com a sociedade, com o trabalho, com a produção e sem a intervenção e regulação do estado”, disse. Segundo ela, ao contrário do que se pensava, a falta de regulação não é incentivadora da economia.
A presidenta comemorou o acordo do Congresso norte-americano para aprovar o pacote do governo para amenizar os efeitos da crise financeira. “Um acordo entre os dirigentes políticas para resolver os problemas de um país é sempre bom, nos Estados Unidos ou em qualquer parte”, afirmou Cristina.
quarta-feira, setembro 24, 2008
AQUECIMENTO GLOBAL - UM FENÔMENO DE NATUREZA SISTÊMICA
O aquecimento global é o aumento sistêmico da temperatura terrestre, provavelmente, em decorrência da utilização industrial de combustíveis fósseis, resultando na acumulação excessiva, na atmosfera, de gases, como o dióxido carbono (CO2) e outros.
O Planeta Terra constitui um sistema físico (enfoque sistêmico) que abriga, na sua superfície, um conjunto de sistemas de natureza biológica, social e tecnológica, tudo envolvido pela atmosfera, trocando matéria e energia com o seu ambiente, ou seja, com o resto do Universo (visão ecológica), cuja temperatura é regulada pelo Efeito Estufa (perspectiva cibernética).
Em contraposição, grande parte do CO2, formada pelas combustões, pela respiração humana e, pela dos animais e das próprias plantas, é retirada da atmosfera, pela vegetação verde, através do processo da fotossíntese, a qual, além de sustentar a cadeia alimentar, assegura a existência de níveis de oxigênio compatíveis com a persistência da vida, na Terra.
Cerca de dois terços da radiação infravermelha, aportada na Terra, é por ela aprisionada, sob a forma de calor, enquanto, aproximadamente, um terço será refletido, retornando, novamente, para o espaço.
Se toda a energia solar, refletida pela Terra, fosse, realmente, para o “espaço”, nosso planeta seria tão frio e incompatível com a presença da vida.
Entretanto, gases como o dióxido de carbono (CO2) , metano, óxidos de nitrogênio e ozônio, existentes na atmosfera, (totalizando menos de 1% desta), possuem, pelo mecanismo conhecido como efeito estufa, a capacidade de reter, nela, a energia calorífica contida nos raios infravermelhos refletidos, mantendo, mais ou menos constante, a temperatura terráquea.
O Efeito Estufa, é, pois, um mecanismo de “feedback” (perspectiva cibernética), capaz de manter estável a temperatura da superfície do Sistema Terra (enfoque sistêmico), resultante da capacidade de determinados gases como o dióxido de carbono e outros, de retenção, na atmosfera, da energia calorífica, contida em, aproximadamente, um terço dos raios infravermelhos emitidos pelo Sol - uma estrela, situada no ambiente da Terra - (visão ecológica) e refletidos pela superfície terrestre.
O aquecimento global é o aumento sistêmico da temperatura terrestre, provavelmente, em decorrência da utilização industrial de combustíveis fósseis, resultando na acumulação excessiva, na atmosfera, de gases, como o dióxido carbono (CO2) e outros.
O Planeta Terra constitui um sistema físico (enfoque sistêmico) que abriga, na sua superfície, um conjunto de sistemas de natureza biológica, social e tecnológica, tudo envolvido pela atmosfera, trocando matéria e energia com o seu ambiente, ou seja, com o resto do Universo (visão ecológica), cuja temperatura é regulada pelo Efeito Estufa (perspectiva cibernética).
Em contraposição, grande parte do CO2, formada pelas combustões, pela respiração humana e, pela dos animais e das próprias plantas, é retirada da atmosfera, pela vegetação verde, através do processo da fotossíntese, a qual, além de sustentar a cadeia alimentar, assegura a existência de níveis de oxigênio compatíveis com a persistência da vida, na Terra.
Cerca de dois terços da radiação infravermelha, aportada na Terra, é por ela aprisionada, sob a forma de calor, enquanto, aproximadamente, um terço será refletido, retornando, novamente, para o espaço.
Se toda a energia solar, refletida pela Terra, fosse, realmente, para o “espaço”, nosso planeta seria tão frio e incompatível com a presença da vida.
Entretanto, gases como o dióxido de carbono (CO2) , metano, óxidos de nitrogênio e ozônio, existentes na atmosfera, (totalizando menos de 1% desta), possuem, pelo mecanismo conhecido como efeito estufa, a capacidade de reter, nela, a energia calorífica contida nos raios infravermelhos refletidos, mantendo, mais ou menos constante, a temperatura terráquea.
O Efeito Estufa, é, pois, um mecanismo de “feedback” (perspectiva cibernética), capaz de manter estável a temperatura da superfície do Sistema Terra (enfoque sistêmico), resultante da capacidade de determinados gases como o dióxido de carbono e outros, de retenção, na atmosfera, da energia calorífica, contida em, aproximadamente, um terço dos raios infravermelhos emitidos pelo Sol - uma estrela, situada no ambiente da Terra - (visão ecológica) e refletidos pela superfície terrestre.
terça-feira, setembro 23, 2008
Se o incêndio beneficiaria Odilon, porque Fauzi o faria?
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008 | 16:00Hs
Edson Paim (Publicado na FM PAN de Aquidauana - MS)
É elementar, meu caro Watson”:
Qualquer adversário, por mais incauto que fosse saberia que um incêndio, “plantado”, no comitê do adversário, só poderia beneficiar tal candidato.
Por isto, a acusação, à priori, parece inverossímil.
Em vésperas de eleições, os desesperados costumam usar de expedientes escusos.
À vezes dá certo.
Uma mentira repetida, muitas vezes, ganha foro de verdade!
Principalmente se a apuração do fato demorar.
Algo me diz que este caso pode corresponder a uma nova Carta Brandi.
Essa carta foi forjada para prejudicar a candidatura de Juscelino e foi usada, sem cerimônia, pela UDN, incapaz de vencer uma eleição nacional, mediante a prática de jogo limpo.
Porque o PTB não poderia usar do mesmo expediente, pois descende da UDN, em linha direta, passando pela ARENA e pelo PFL, sendo, portanto, legítimo herdeiro dos seus métodos, pois todos eles surgiram de maquinações do Ministro Golbery do Couto e Silva.
No caso do PTB, o cognominado “bruxo” articulou a entrega da legenda histórica a Ivete Vargas, para impedir que ela voltasse às mãos de Brizola, motivo pelo qual, em uma memorável reunião no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, ele rasgara a bandeira do PTB.
Agora, infelizmente, é o próprio PDT que, em Aquidauana, cai nas mãos dos seguidores da UDN e de Golbery, para desgraça do trabalhismo histórico brasileiro e, para ultraje da memória de Leonel Brizola.
Vejamos a história da Carta Brandi:
Quando Juscelino postulava, pelo PSD, a Presidência da República, o avanço de sua candidatura assustava a UDN.
Em oposição, o General Juarez Távora foi lançado pelo Partido Democrata Cristão (PDC), que recebeu o apoio do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A UDN passou a apoiar Juarez Távora, indicando para vice Mílton Campos.
Ademar de Barros se lançou pelo Partido Social Progressista (PSP), tendo como vice Danton Coelho.
Durante a campanha foi divulgada uma carta, datada de 5 de agosto de 1953 e endereçada ao então ministro do Trabalho, João Goulart, mencionando contatos secretos que este teria mantido com Juan Domingo Perón, então presidente da Argentina, para implantar uma república sindicalista no Brasil.
A raivosa e golpista UDN insistia na veracidade da carta.
O suposto autor, o deputado argentino Antonio Jesus Brandi, revelava também a existência de contrabando de armas argentinas para o Brasil.
Para averiguar as denúncias foi aberto um inquérito policial militar (IPM), presidido pelo general Emílio Maurel Filho, que concluiu pela falsidade da Carta Brandi.
A UDN que já acreditava na vitória da chapa JK-Jango, lançou mão de outro expediente para impedir sua posse.
Às vésperas do pleito apresentou uma emenda constitucional transferindo para a Câmara dos Deputados a eleição presidencial no caso de o eleito não conseguir maioria absoluta.
Não conseguiu, porém, aprová-la.
Queria mudar as regras depois do jogo começado.
Outra tentativa udenista:
Consistia em Impedir a posse de Juscelino, mediante conspiração, com o apoio do Presidente Café Filho (Vice de Getúlio) e do Presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, o qual substituiu Café Filho na Presidência da República, ambos afastados pelo então Ministro da Guerra, General João Baptista Dufles, permitindo não só a posse de Juscelino, como o exercício de seu mandato histórico.
Como a história se repete, pode estar acontecendo agora, como ocorreu no passado, o tiro acabar saindo pela culatra, pois não se pode subestimar a inteligência do povo e, muito menos, tripudiá-lo.
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008 | 16:00Hs
Edson Paim (Publicado na FM PAN de Aquidauana - MS)
É elementar, meu caro Watson”:
Qualquer adversário, por mais incauto que fosse saberia que um incêndio, “plantado”, no comitê do adversário, só poderia beneficiar tal candidato.
Por isto, a acusação, à priori, parece inverossímil.
Em vésperas de eleições, os desesperados costumam usar de expedientes escusos.
À vezes dá certo.
Uma mentira repetida, muitas vezes, ganha foro de verdade!
Principalmente se a apuração do fato demorar.
Algo me diz que este caso pode corresponder a uma nova Carta Brandi.
Essa carta foi forjada para prejudicar a candidatura de Juscelino e foi usada, sem cerimônia, pela UDN, incapaz de vencer uma eleição nacional, mediante a prática de jogo limpo.
Porque o PTB não poderia usar do mesmo expediente, pois descende da UDN, em linha direta, passando pela ARENA e pelo PFL, sendo, portanto, legítimo herdeiro dos seus métodos, pois todos eles surgiram de maquinações do Ministro Golbery do Couto e Silva.
No caso do PTB, o cognominado “bruxo” articulou a entrega da legenda histórica a Ivete Vargas, para impedir que ela voltasse às mãos de Brizola, motivo pelo qual, em uma memorável reunião no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, ele rasgara a bandeira do PTB.
Agora, infelizmente, é o próprio PDT que, em Aquidauana, cai nas mãos dos seguidores da UDN e de Golbery, para desgraça do trabalhismo histórico brasileiro e, para ultraje da memória de Leonel Brizola.
Vejamos a história da Carta Brandi:
Quando Juscelino postulava, pelo PSD, a Presidência da República, o avanço de sua candidatura assustava a UDN.
Em oposição, o General Juarez Távora foi lançado pelo Partido Democrata Cristão (PDC), que recebeu o apoio do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A UDN passou a apoiar Juarez Távora, indicando para vice Mílton Campos.
Ademar de Barros se lançou pelo Partido Social Progressista (PSP), tendo como vice Danton Coelho.
Durante a campanha foi divulgada uma carta, datada de 5 de agosto de 1953 e endereçada ao então ministro do Trabalho, João Goulart, mencionando contatos secretos que este teria mantido com Juan Domingo Perón, então presidente da Argentina, para implantar uma república sindicalista no Brasil.
A raivosa e golpista UDN insistia na veracidade da carta.
O suposto autor, o deputado argentino Antonio Jesus Brandi, revelava também a existência de contrabando de armas argentinas para o Brasil.
Para averiguar as denúncias foi aberto um inquérito policial militar (IPM), presidido pelo general Emílio Maurel Filho, que concluiu pela falsidade da Carta Brandi.
A UDN que já acreditava na vitória da chapa JK-Jango, lançou mão de outro expediente para impedir sua posse.
Às vésperas do pleito apresentou uma emenda constitucional transferindo para a Câmara dos Deputados a eleição presidencial no caso de o eleito não conseguir maioria absoluta.
Não conseguiu, porém, aprová-la.
Queria mudar as regras depois do jogo começado.
Outra tentativa udenista:
Consistia em Impedir a posse de Juscelino, mediante conspiração, com o apoio do Presidente Café Filho (Vice de Getúlio) e do Presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, o qual substituiu Café Filho na Presidência da República, ambos afastados pelo então Ministro da Guerra, General João Baptista Dufles, permitindo não só a posse de Juscelino, como o exercício de seu mandato histórico.
Como a história se repete, pode estar acontecendo agora, como ocorreu no passado, o tiro acabar saindo pela culatra, pois não se pode subestimar a inteligência do povo e, muito menos, tripudiá-lo.
segunda-feira, setembro 22, 2008
Lula estranha reativação da Quarta Frota da Marinha Americana
Sabrina Craide
Enviada Especial
Nova York (Estados Unidos) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (22), em Nova York, que estranhou a reativação da Quarta Frota da Marinha Americana no Oceano Atlântico, logo após a descoberta do petróleo na camada pré-sal.
“Estranhamos que, depois que encontramos o petróleo, a Quarta Frota vá tomar conta do Atlântico exatamente na área que tem petróleo. Penso que não tem problema, a nossa preocupação agora é tentar explorar esse petróleo e fazer com que ele possa ajudar o povo brasileiro a mudar de vida”, disse. Lula afirmou que já conversou com o presidente George Bush sobre o assunto.
Ao comentar a crise financeira nos Estados Unidos, que atinge toda a economia mundial, Lula disse que é preciso haver medidas para dificultar a especulação financeira.
“Ninguém pode fazer de dinheiro de pensionistas um cassino. Quer ganhar dinheiro, ganhe investindo em coisas que gerem mais empregos, mais renda. Não especulando, e depois querem dividir o prejuízo com os mais pobres. Não podemos aceitar isso. Quando ganham, ganham sozinhos. Quando perdem, querem socializar”, criticou Lula.
Ele disse que, apesar de não haver sinais de que a crise chegue no Brasil, o governo está preocupado. “Se houver recessão nos Estados Unidos, isso vai repercutir em todo o mundo.”
Sabrina Craide
Enviada Especial
Nova York (Estados Unidos) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (22), em Nova York, que estranhou a reativação da Quarta Frota da Marinha Americana no Oceano Atlântico, logo após a descoberta do petróleo na camada pré-sal.
“Estranhamos que, depois que encontramos o petróleo, a Quarta Frota vá tomar conta do Atlântico exatamente na área que tem petróleo. Penso que não tem problema, a nossa preocupação agora é tentar explorar esse petróleo e fazer com que ele possa ajudar o povo brasileiro a mudar de vida”, disse. Lula afirmou que já conversou com o presidente George Bush sobre o assunto.
Ao comentar a crise financeira nos Estados Unidos, que atinge toda a economia mundial, Lula disse que é preciso haver medidas para dificultar a especulação financeira.
“Ninguém pode fazer de dinheiro de pensionistas um cassino. Quer ganhar dinheiro, ganhe investindo em coisas que gerem mais empregos, mais renda. Não especulando, e depois querem dividir o prejuízo com os mais pobres. Não podemos aceitar isso. Quando ganham, ganham sozinhos. Quando perdem, querem socializar”, criticou Lula.
Ele disse que, apesar de não haver sinais de que a crise chegue no Brasil, o governo está preocupado. “Se houver recessão nos Estados Unidos, isso vai repercutir em todo o mundo.”
sábado, setembro 20, 2008
CRISE SISTÊMICA

Resposta dos EUA à crise: socialização de prejuízos
Alan E. Cober
O governo e o Congresso dos EUA se juntaram para tentar produzir um feixe de medidas contra a crise financeira que eletrifica os mercados mundiais.
A coisa será costurada ao longo do final de semana. Uma das providências sob análise prevê a adoção de um remédio amargo para o contribuinte norte-americano.
Estuda-se a criação de uma agência governamental com poderes e dinheiro para assumir o passivo de instituições financeiras micadas.
A tal agência encamparia os bancos encalacrados, engoliria o lado podre dos balanços e devolveria a parte boa ao mercado.
Em bom português: será uma mega-socialização dos prejuízos que envenenam o sistema bancário dos EUA.
Estima-se em cerca de US$ 1 trilhão o custo da brincadeira. Uma conta a ser espetada na tabuleta do Tesouro norte-americano.
o secretário do Tesouro, Henry Paulson, "Este país é capaz de se unir e realizar as coisas rapidamente quando é preciso, pelo bem do povo americano".
"Agora estamos trabalhando para combater um risco sistêmico e a tensão em nossos mercados de capitais”, diz Henry Paulson, o secretário do Tesouro.
Em uma frase, Paulson expõe o miolo da picanha que foi levada à grelha:
“Falamos de um enfoque integral, que exigirá uma nova legislação, para enfrentar os ativos sem liquidez nos Estados Unidos."
O presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA) ecoa Paulson:
"Nos unimos para trabalhar em uma rápida solução, que ataque o foco do problema: os ativos sem liquidez dos balanços das instituições financeiras."
Confirmando-se a receita desse churrasco que reserva ao cidadão norte-americano apenas sal grosso, a perspectiva é de que o furacão dê uma trégua.
O que inquieta os mercados ao redor do mundo é a iminência de uma surpresa a cada esquina.
Se a Casa Branca assegura que vai engolir todos os micos –inclusive os que estão por vir—cessam, em tese, as dúvidas que embalam a onda de pânico.
PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.
Escrito por Josias de Souza às 03h32

Resposta dos EUA à crise: socialização de prejuízos
Alan E. Cober
O governo e o Congresso dos EUA se juntaram para tentar produzir um feixe de medidas contra a crise financeira que eletrifica os mercados mundiais.
A coisa será costurada ao longo do final de semana. Uma das providências sob análise prevê a adoção de um remédio amargo para o contribuinte norte-americano.
Estuda-se a criação de uma agência governamental com poderes e dinheiro para assumir o passivo de instituições financeiras micadas.
A tal agência encamparia os bancos encalacrados, engoliria o lado podre dos balanços e devolveria a parte boa ao mercado.
Em bom português: será uma mega-socialização dos prejuízos que envenenam o sistema bancário dos EUA.
Estima-se em cerca de US$ 1 trilhão o custo da brincadeira. Uma conta a ser espetada na tabuleta do Tesouro norte-americano.
o secretário do Tesouro, Henry Paulson, "Este país é capaz de se unir e realizar as coisas rapidamente quando é preciso, pelo bem do povo americano".
"Agora estamos trabalhando para combater um risco sistêmico e a tensão em nossos mercados de capitais”, diz Henry Paulson, o secretário do Tesouro.
Em uma frase, Paulson expõe o miolo da picanha que foi levada à grelha:
“Falamos de um enfoque integral, que exigirá uma nova legislação, para enfrentar os ativos sem liquidez nos Estados Unidos."
O presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA) ecoa Paulson:
"Nos unimos para trabalhar em uma rápida solução, que ataque o foco do problema: os ativos sem liquidez dos balanços das instituições financeiras."
Confirmando-se a receita desse churrasco que reserva ao cidadão norte-americano apenas sal grosso, a perspectiva é de que o furacão dê uma trégua.
O que inquieta os mercados ao redor do mundo é a iminência de uma surpresa a cada esquina.
Se a Casa Branca assegura que vai engolir todos os micos –inclusive os que estão por vir—cessam, em tese, as dúvidas que embalam a onda de pânico.
PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.
Escrito por Josias de Souza às 03h32
quinta-feira, setembro 18, 2008
Crise nos EUA está longe do fim, segundo especialistas
Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - A crise nos Estados Unidos, cujo capítulo mais recente foi a quebra do Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos daquele país, ainda está longe do fim, afirmam especialistas consultados hoje (17) pela Agência Brasil.
A falência do Lehman Brothers foi um capítulo à parte na porque o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, não emprestou dinheiro para evitar a concordata do banco. "O mercado entendeu isso como uma mudança de rota e se assustou com a decisão [do Fed]", explica Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos, diretor do curso MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) de São Paulo. Em março, o Fed emprestou dinheiro para que o banco JP Morgan comprasse o quase falido Bear Stern.
"A inadimplência no crédito afetou a saúde financeira dos bancos e isso desencadeou a crise na bolsa", explica o professor Antonio Correa de Lacerda, do departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A crise, lembram os especialistas, foi provocada por problemas no mercado imobiliário americano.
"Guardadas as devidas proporções, esta crise tem o tamanho e a gravidade da crise de 1929", acredita Santos. Ele explica que o mundo hoje está mais preparado do que na década de 30, quando a Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou. "Hoje o mercado esta mais controlado, temos uma série de mecanismos para não deixar a situação se alastrar.”
A crise econômica, segundo especialistas, não tem hora para acabar. E, segundo o diretor da FAAP, a bolha americana não é a única. "Há situações semelhantes em diversos países da Europa, como a Holanda e a Inglaterra e até mesmo na Oceania, na Nova Zelândia e na Austrália", diz.
Mas como esta crise afeta o cidadão comum no Brasil? O economista Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultoria, explica que por hora o país não está sentindo os efeitos da crise. "O principal efeito é a queda de commodities, que não se reflete diretamente na economia real, só no mercado de exportações", ensina.
Para o professor da PUC, as bolsas de valores estimulam o crescimento e o surgimento das empresas e o movimento da economia acompanha seu ritmo. "Uma crise profunda diminui a capacidade de expansão das empresas e, conseqüentemente, de gerar empregos."
Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - A crise nos Estados Unidos, cujo capítulo mais recente foi a quebra do Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos daquele país, ainda está longe do fim, afirmam especialistas consultados hoje (17) pela Agência Brasil.
A falência do Lehman Brothers foi um capítulo à parte na porque o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, não emprestou dinheiro para evitar a concordata do banco. "O mercado entendeu isso como uma mudança de rota e se assustou com a decisão [do Fed]", explica Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos, diretor do curso MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) de São Paulo. Em março, o Fed emprestou dinheiro para que o banco JP Morgan comprasse o quase falido Bear Stern.
"A inadimplência no crédito afetou a saúde financeira dos bancos e isso desencadeou a crise na bolsa", explica o professor Antonio Correa de Lacerda, do departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A crise, lembram os especialistas, foi provocada por problemas no mercado imobiliário americano.
"Guardadas as devidas proporções, esta crise tem o tamanho e a gravidade da crise de 1929", acredita Santos. Ele explica que o mundo hoje está mais preparado do que na década de 30, quando a Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou. "Hoje o mercado esta mais controlado, temos uma série de mecanismos para não deixar a situação se alastrar.”
A crise econômica, segundo especialistas, não tem hora para acabar. E, segundo o diretor da FAAP, a bolha americana não é a única. "Há situações semelhantes em diversos países da Europa, como a Holanda e a Inglaterra e até mesmo na Oceania, na Nova Zelândia e na Austrália", diz.
Mas como esta crise afeta o cidadão comum no Brasil? O economista Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultoria, explica que por hora o país não está sentindo os efeitos da crise. "O principal efeito é a queda de commodities, que não se reflete diretamente na economia real, só no mercado de exportações", ensina.
Para o professor da PUC, as bolsas de valores estimulam o crescimento e o surgimento das empresas e o movimento da economia acompanha seu ritmo. "Uma crise profunda diminui a capacidade de expansão das empresas e, conseqüentemente, de gerar empregos."
quinta-feira, setembro 11, 2008
Britânicos fazem maior estudo da história sobre pessoas que 'voltaram da morte'

Foto: Reprodução Foto: Reprodução
'Túnel de luz', retratado neste quadro de Hieronymus Bosch (séc. 15), é comumente mencionado nas experiências de quase-morte (Foto: Reprodução)
Pacientes europeus e dos Estados Unidos participarão da pesquisa.
Morrer é um processo, e não um fato pontual, lembra médico.
Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo
Neurologistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, estão se preparando para iniciar o maior estudo de todos os tempos sobre as misteriosas experiências de quase-morte -- eventos em que pessoas dizem ter ido até a fronteira do Além e voltado para contar a história. O trabalho vai monitorar pacientes que passam raspando pela morte em solo britânico, em países da Europa continental e nos Estados Unidos, anunciou a instituição.
O projeto Aware (sigla inglesa de "consciência durante ressuscitação") será liderado por Sam Parnia, especialista em estudos sobre a consciência humana durante a morte clínica. Após 18 meses de um estudo-piloto no Reino Unido, a iniciativa está sendo ampliada para outros países.
"Ao contrário do que se acredita popularmente, a morte não é um momento específico. É um processo que começa quando o coração pára de bater, os pulmões não funcionam mais e o cérebro deixa de registrar atividade. É o que chamamos de parada cardíaca, a qual, do ponto de vista biológico, é idêntica à morte clínica", disse Parnia em comunicado oficial. "Durante uma parada cardíaca, todos esses critérios estão presentes. Segue-se então um período, que pode durar de alguns segundos a uma hora ou mais, no qual esforços médicos de emergência podem fazer o coração voltar a funcionar e reverter o processo. O que as pessoas experimentam durante esse período nos dá uma janela única para entender o que acontece conosco durante o processo de morrer."
Fique longe da luz
É nessas condições que entre 10% e 20% dos pacientes relatam passar por fenômenos como o aparecimento de um túnel de luz, o surgimento de um 'filme' de toda a sua vida diante de seus olhos ou a capacidade de ver e ouvir tudo o que acontece no quarto de hospital, às vezes "de cima" do próprio corpo, como se o paciente estivesse flutuando.
O objetivo dos médicos é usar tecnologias sofisticadas para estudar diretamente o cérebro e o estado de consciência dos que sofrem uma parada cardíaca, para tentar confirmar essas afirmações. A idéia é, ao mesmo tempo, usar esses conhecimentos para melhorar as condições gerais de saúde mental e física desses pacientes.
Alguns dos achados mais recentes da neurociência apontam como possível explicação para as experiências de quase-morte uma pane na região do cérebro responsável pelo senso de identidade e autopercepção do corpo. Se a hipótese estiver correta, a pessoa à beira de morrer perderia a capacidade de separar seu próprio organismo do ambiente externo, levando à impressão de se ver "de cima".

Foto: Reprodução Foto: Reprodução
'Túnel de luz', retratado neste quadro de Hieronymus Bosch (séc. 15), é comumente mencionado nas experiências de quase-morte (Foto: Reprodução)
Pacientes europeus e dos Estados Unidos participarão da pesquisa.
Morrer é um processo, e não um fato pontual, lembra médico.
Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo
Neurologistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, estão se preparando para iniciar o maior estudo de todos os tempos sobre as misteriosas experiências de quase-morte -- eventos em que pessoas dizem ter ido até a fronteira do Além e voltado para contar a história. O trabalho vai monitorar pacientes que passam raspando pela morte em solo britânico, em países da Europa continental e nos Estados Unidos, anunciou a instituição.
O projeto Aware (sigla inglesa de "consciência durante ressuscitação") será liderado por Sam Parnia, especialista em estudos sobre a consciência humana durante a morte clínica. Após 18 meses de um estudo-piloto no Reino Unido, a iniciativa está sendo ampliada para outros países.
"Ao contrário do que se acredita popularmente, a morte não é um momento específico. É um processo que começa quando o coração pára de bater, os pulmões não funcionam mais e o cérebro deixa de registrar atividade. É o que chamamos de parada cardíaca, a qual, do ponto de vista biológico, é idêntica à morte clínica", disse Parnia em comunicado oficial. "Durante uma parada cardíaca, todos esses critérios estão presentes. Segue-se então um período, que pode durar de alguns segundos a uma hora ou mais, no qual esforços médicos de emergência podem fazer o coração voltar a funcionar e reverter o processo. O que as pessoas experimentam durante esse período nos dá uma janela única para entender o que acontece conosco durante o processo de morrer."
Fique longe da luz
É nessas condições que entre 10% e 20% dos pacientes relatam passar por fenômenos como o aparecimento de um túnel de luz, o surgimento de um 'filme' de toda a sua vida diante de seus olhos ou a capacidade de ver e ouvir tudo o que acontece no quarto de hospital, às vezes "de cima" do próprio corpo, como se o paciente estivesse flutuando.
O objetivo dos médicos é usar tecnologias sofisticadas para estudar diretamente o cérebro e o estado de consciência dos que sofrem uma parada cardíaca, para tentar confirmar essas afirmações. A idéia é, ao mesmo tempo, usar esses conhecimentos para melhorar as condições gerais de saúde mental e física desses pacientes.
Alguns dos achados mais recentes da neurociência apontam como possível explicação para as experiências de quase-morte uma pane na região do cérebro responsável pelo senso de identidade e autopercepção do corpo. Se a hipótese estiver correta, a pessoa à beira de morrer perderia a capacidade de separar seu próprio organismo do ambiente externo, levando à impressão de se ver "de cima".
quarta-feira, setembro 10, 2008
Sistema de saúde dos EUA está a beira do colapso financeiro
Gastos com tratamentos chegam a quase um quinto do PIB americano.
Mesmo assim, cerca de 50 milhões de pessoas não têm plano médico.
Luis Fernando Correia Especial para o G1
Saúde em foco
O maior sistema de saúde do mundo vive uma crise inédita em sua história. Uma crise que vem aumentando a cada ano e já se tornou a maior preocupação dos cidadãos daquele país. Estamos falando do sistema de saúde americano. O país mais rico do mundo gasta muito em saúde e mesmo assim não obtêm os resultados que gostaria, e seu futuro é incerto.
Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN
O gasto com saúde nos Estados Unidos chegou em 2007 a US$ 2,3 trilhões, e a perspectiva, se nada mudar, é de que em 2016 chegue a US$ 4,2 trilhões. Esse montante equivale a 16% do Produto Interno Bruto (PIB) e, daqui a oito anos, eles deverão estar gastando 20% do que é produzido para pagar a conta da saúde.
Apesar dessa montanha de dinheiro, 47 milhões de cidadãos não têm seguro-saúde. Os preços dos prêmios de seguro-saúde subiu quatro vezes mais rápido do que os salários nos últimos seis anos. O país vive uma epidemia de obesidade e doenças crônicas, como diabetes e males cardíacos. E, de cada dólar gasto em saúde, somente quatro centavos vão para estratégias de prevenção.
Muitos podem estar pensando: "O que tenho eu a ver com os problemas do sistema de saúde dos ianques? Os nossos problemas já bastam." Além de vivermos em um mundo globalizado, onde as aspirações e desejos de consumo são compartilhados, costumamos importar estratégias e métodos, portanto acompanharmos o que se desenrola lá pode nos ajudar a não repetirmos os erros aqui. Os vizinhos do norte estão em ano eleitoral e o debate está acirrado. Nos próximos artigos vamos mostrar quais são as propostas dos dois principais partidos para tentar reverter o tsunami da saúde nos Estados Unidos.
Gastos com tratamentos chegam a quase um quinto do PIB americano.
Mesmo assim, cerca de 50 milhões de pessoas não têm plano médico.
Luis Fernando Correia Especial para o G1
Saúde em foco
O maior sistema de saúde do mundo vive uma crise inédita em sua história. Uma crise que vem aumentando a cada ano e já se tornou a maior preocupação dos cidadãos daquele país. Estamos falando do sistema de saúde americano. O país mais rico do mundo gasta muito em saúde e mesmo assim não obtêm os resultados que gostaria, e seu futuro é incerto.
Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN
O gasto com saúde nos Estados Unidos chegou em 2007 a US$ 2,3 trilhões, e a perspectiva, se nada mudar, é de que em 2016 chegue a US$ 4,2 trilhões. Esse montante equivale a 16% do Produto Interno Bruto (PIB) e, daqui a oito anos, eles deverão estar gastando 20% do que é produzido para pagar a conta da saúde.
Apesar dessa montanha de dinheiro, 47 milhões de cidadãos não têm seguro-saúde. Os preços dos prêmios de seguro-saúde subiu quatro vezes mais rápido do que os salários nos últimos seis anos. O país vive uma epidemia de obesidade e doenças crônicas, como diabetes e males cardíacos. E, de cada dólar gasto em saúde, somente quatro centavos vão para estratégias de prevenção.
Muitos podem estar pensando: "O que tenho eu a ver com os problemas do sistema de saúde dos ianques? Os nossos problemas já bastam." Além de vivermos em um mundo globalizado, onde as aspirações e desejos de consumo são compartilhados, costumamos importar estratégias e métodos, portanto acompanharmos o que se desenrola lá pode nos ajudar a não repetirmos os erros aqui. Os vizinhos do norte estão em ano eleitoral e o debate está acirrado. Nos próximos artigos vamos mostrar quais são as propostas dos dois principais partidos para tentar reverter o tsunami da saúde nos Estados Unidos.
quarta-feira, setembro 03, 2008
General admite que grampo pode ter sido feito na Abin
O Globo
O chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, admitiu que servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) podem ter participado do grampo nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Ao depor na CPI dos Grampos, o general defendeu o ex-diretor da Abin Paulo Lacerda, afastado pelo presidente Lula, mas disse que funcionários da agência podem ter feito a escuta clandestina à revelia da cúpula do órgão. E que quem teme ser grampeado deveria evitar usar o telefone: “Tecnologia antigrampo, a única efetivamente eficaz, seria não abrir a boca”.
Os delegados da Polícia Federal encarregados do inquérito sobre o grampo foram apresentados ao presidente do STF – que será ouvido como testemunha no caso.
Em Vitória, o presidente Lula disse que afastou a direção da Abin para mostrar que a investigação será transparente. O substituto de Lacerda será Wilson Roberto Trezza, funcionário de carreira da agência.
(Sinopse Radiobrás)
O Globo
O chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, admitiu que servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) podem ter participado do grampo nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Ao depor na CPI dos Grampos, o general defendeu o ex-diretor da Abin Paulo Lacerda, afastado pelo presidente Lula, mas disse que funcionários da agência podem ter feito a escuta clandestina à revelia da cúpula do órgão. E que quem teme ser grampeado deveria evitar usar o telefone: “Tecnologia antigrampo, a única efetivamente eficaz, seria não abrir a boca”.
Os delegados da Polícia Federal encarregados do inquérito sobre o grampo foram apresentados ao presidente do STF – que será ouvido como testemunha no caso.
Em Vitória, o presidente Lula disse que afastou a direção da Abin para mostrar que a investigação será transparente. O substituto de Lacerda será Wilson Roberto Trezza, funcionário de carreira da agência.
(Sinopse Radiobrás)
segunda-feira, setembro 01, 2008
Pronasci das estradas propõe educação no trânsito
Da Agência Brasil
Brasília - O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Hélio Cardoso Derenne, lançam hoje (1º) o projeto Unidades de Atendimento ao Cidadão (Unaci). Será às 14h30, no auditório do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (Dnit) em Curitiba.
O novo modelo de policiamento faz parte do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) voltado para as rodovias federais. Em entrevista coletiva, o ministro e o inspetor vão explicar o novo esquema, que deve distribuir viaturas e instalar novos postos da PRF conforme critérios científicos, diminuindo o tempo de resposta às ocorrências e aumentando a sensação de segurança nas estradas.
O Unaci também prevê ações sociais nos municípios contemplados pelo projeto, com ênfase na educação de trânsito e saúde do motorista profissional.
Após a coletiva, o ministro Tarso Genro fará visita de inspeção a um posto da Polícia Rodoviária na BR-116,.
Da Agência Brasil
Brasília - O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Hélio Cardoso Derenne, lançam hoje (1º) o projeto Unidades de Atendimento ao Cidadão (Unaci). Será às 14h30, no auditório do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (Dnit) em Curitiba.
O novo modelo de policiamento faz parte do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) voltado para as rodovias federais. Em entrevista coletiva, o ministro e o inspetor vão explicar o novo esquema, que deve distribuir viaturas e instalar novos postos da PRF conforme critérios científicos, diminuindo o tempo de resposta às ocorrências e aumentando a sensação de segurança nas estradas.
O Unaci também prevê ações sociais nos municípios contemplados pelo projeto, com ênfase na educação de trânsito e saúde do motorista profissional.
Após a coletiva, o ministro Tarso Genro fará visita de inspeção a um posto da Polícia Rodoviária na BR-116,.
Assinar:
Postagens (Atom)