Sábado, Novembro 07, 2009

no PAINEL DO PAIM

05/11/2009

Perón, Getúlio, Lula

Quando acusou Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular.

Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.

Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.

Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.

A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.

Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.

Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.

Mas os fantasmas continuaram a asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.

O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.

O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.

No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.

Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos ”cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.

É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.

Postado por Emir Sader às 06:16

Terça-feira, Outubro 27, 2009

PAULO FREIRE DESENVOLVEU NOVO CONCEITO DE LEITURA E ESCRITA: leia trecho

da Folha Online

"Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação", diz o professor e vice-presidente da TV Cultura Fernando José de Almeida, em seu recente livro "Folha Explica: Paulo Freire".

Lançamento de "Paulo Freire" ocorre nesta quarta (28), em SP

Divulgação
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire

De forma clara e objetiva, o título analisa a vida e a obra desse que é um dos maiores educadores do Brasil, mostra uma reflexão sobre a "pedagogia do oprimido", criada por Freire, e deixa clara a importância mundial de seus projetos político-pedagógicos.

Também destina um capítulo especial com cronologia e as principais obras do educador --que tem obras traduzidas para mais de 20 línguas.

Conheça, no trecho abaixo, os pensamentos de Paulo Freire e seu programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20, e que interferiu no mundo da educação em todos os continentes.

*

Ler o mundo para se libertar

O método criado por Paulo Freire para alfabetização de adultos foi, sem dúvida, sua maior contribuição à educação. Não apenas pela capacidade de alfabetizar em 40 horas. Seu sucesso está marcado pelo fato de ter desenvolvido um novo conceito de leitura - e com ele um novo conceito de escrita. Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação. Ler é tomar consciência. A leitura é antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive. Mas não só ler. É também representá-lo pela linguagem escrita. Falar sobre ele, interpretá-lo, escrevê-lo. Ler e escrever, dentro desta perspectiva, é também libertar-se. Leitura e escrita como prática de liberdade.

A escrita é também objeto do pensamento e da vida. O mundo ao sul da linha do Equador é marcado pela oralidade; aqui, a escrita e a leitura são um distintivo de poder. Portanto, a criação de uma política de desenvolvimento de participação do mundo da leitura e da escrita significa redimir as massas excluídas de 500 anos de história. A leitura do mundo antecede a leitura das letras. A leitura assim é um fato político cultural de participação. Desse ponto de vista, um adulto ler frases como "vovó viu a uva" deixou de ser um fato educacional pacífico e virou um absurdo político, já que a frase não tem nenhum significado para o adulto que se alfabetiza. É um desrespeito a ele e o esvazia de sua dimensão cidadã.

Há 60 anos10, havia ainda 50% de analfabetos no país - por absoluta opção política. Dirigentes, classes médias e baixas, clero, latifundiários e minifundiários, políticos, todos achavam que os analfabetos eram uma espécie de praga, uma mancha na cultura nacional. Mais uma vez, a vítima era a culpada. Alguns viam os analfabetos como uma espécie que nasce por acaso e faz parte de um sistema ecológico de equilíbrio social. De lá para cá, houve progresso.

Em 2008, o estado de São Paulo chega ao menor número relativo de analfabetos na sua história: 4%. Pela primeira vez na história, o número de analfabetos maiores de 15 anos começa a diminuir a partir de 2002, chegando a 10 milhões em todo o país. Isso acontece pelo simples fato de que não geramos novos analfabetos, pois todas as crianças estão na escola. Mas o estoque de analfabetos se mantém e este número só abaixará pela morte deles!

Não acabamos ainda com o analfabetismo, embora estejamos acabando com os analfabetos. Todo o trabalho de Paulo Freire, todos os anos de exílio, todos os festejos na sua volta, não ajudaram o país a fazer a lição: dar direito à leitura e à escrita a seus cidadãos. Todos.

Elementos do seu método

O método construído por Paulo Freire a partir de sua prática pedagógica, em articulação com os carentes sociais e culturais de seu estado de Pernambuco, gerou um programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20. Pode-se dizer que esse método interferiu no mundo da educação em todos os continentes. Partindo de "temas geradores", o método propiciava uma reflexão do alfabetizando sobre os seus próprios problemas - o que gerava a necessidade de posicionar-se sobre tais questões e de expressá-las em formas próprias de comunicação. Com o método de Freire, os adultos não se sentiam alheios aos temas de sua escrita e a leitura virava um aprofundamento do que já vinham vivendo, em suas experiências como trabalhadores e cidadãos.

Se os temas geradores fossem, digamos, terra, latifúndio, favela, enxada, foice, casa, eram essas as palavras a serem lidas e escritas, com seus significados debatidos. Toda a gama de desmembramento de outras palavras era oriunda dessas sílabas componentes das palavras--temas. FA-VE-LA pode gerar: ve-la, fa-la, la-ve, lu-va, fa-va etc., assim como outras inúmeras composições com seus diversos grupos silábicos, num imenso repertório de possibilidades. Com isso, os jovens ou adultos constroem palavras nascidas de seu repertório "gerador"; e sendo elas debatidas, escritas e faladas, podem transformar as suas realidades pela práxis.

Os problemas de alfabetização não pararam aí: da perspectiva do método, o desafio contemporâneo é continuar a construir, com os leitores-aprendizes, a problematização sobre os temas geradores em cada nova realidade - como no mundo digital, especialmente. Tornado realidade pela reorganização do capitalismo volátil, o mundo digital deve ser também objeto de um novo processo da alfabetização. O mundo digital em nada é menos opressor ou menos desumanizador que o mundo do latifúndio ou da favela. São desafios mais sutis e mais encobertos em aparências de globalização democrática.

Como Paulo Freire pode ser chamado para ajudar a desenhar um método de alfabetização crítico-digital? Para estar neste mundo e poder participar de suas potencialidades é preciso dominá-lo. Este domínio não se dará pelo controle simples de seus manuais de instrução ou pela manipulação de seus teclados e softwares - "caminhar sobre as letras", como dizia Freire. Tal participação demanda um aguçamento do senso crítico, acompanhando a discussão de seus problemas e de suas perspectivas. Este domínio se desenvolve também com a compreensão de seus instrumentais: navegar na internet, trabalhar com um processador para escrever um texto, poder enviar uma mensagem para o outro lado da cidade ou do mundo, criar uma agência de notícias ou editar jornais comunitários, divulgar seu currículo na rede: tudo isso pode ser um caminho freireano de uso crítico e político.


"Folha Explica: Paulo Freire"
Autor: Fernando José de Almeida
Editora: Publifolha
Páginas: 104

PAULO FREIRE DESENVOLVEU NOVO CONCEITO DE LEITURA E ESCRITA: leia trecho

da Folha Online

"Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação", diz o professor e vice-presidente da TV Cultura Fernando José de Almeida, em seu recente livro "Folha Explica: Paulo Freire".

Lançamento de "Paulo Freire" ocorre nesta quarta (28), em SP

Divulgação
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire

De forma clara e objetiva, o título analisa a vida e a obra desse que é um dos maiores educadores do Brasil, mostra uma reflexão sobre a "pedagogia do oprimido", criada por Freire, e deixa clara a importância mundial de seus projetos político-pedagógicos.

Também destina um capítulo especial com cronologia e as principais obras do educador --que tem obras traduzidas para mais de 20 línguas.

Conheça, no trecho abaixo, os pensamentos de Paulo Freire e seu programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20, e que interferiu no mundo da educação em todos os continentes.

*

Ler o mundo para se libertar

O método criado por Paulo Freire para alfabetização de adultos foi, sem dúvida, sua maior contribuição à educação. Não apenas pela capacidade de alfabetizar em 40 horas. Seu sucesso está marcado pelo fato de ter desenvolvido um novo conceito de leitura - e com ele um novo conceito de escrita. Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação. Ler é tomar consciência. A leitura é antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive. Mas não só ler. É também representá-lo pela linguagem escrita. Falar sobre ele, interpretá-lo, escrevê-lo. Ler e escrever, dentro desta perspectiva, é também libertar-se. Leitura e escrita como prática de liberdade.

A escrita é também objeto do pensamento e da vida. O mundo ao sul da linha do Equador é marcado pela oralidade; aqui, a escrita e a leitura são um distintivo de poder. Portanto, a criação de uma política de desenvolvimento de participação do mundo da leitura e da escrita significa redimir as massas excluídas de 500 anos de história. A leitura do mundo antecede a leitura das letras. A leitura assim é um fato político cultural de participação. Desse ponto de vista, um adulto ler frases como "vovó viu a uva" deixou de ser um fato educacional pacífico e virou um absurdo político, já que a frase não tem nenhum significado para o adulto que se alfabetiza. É um desrespeito a ele e o esvazia de sua dimensão cidadã.

Há 60 anos10, havia ainda 50% de analfabetos no país - por absoluta opção política. Dirigentes, classes médias e baixas, clero, latifundiários e minifundiários, políticos, todos achavam que os analfabetos eram uma espécie de praga, uma mancha na cultura nacional. Mais uma vez, a vítima era a culpada. Alguns viam os analfabetos como uma espécie que nasce por acaso e faz parte de um sistema ecológico de equilíbrio social. De lá para cá, houve progresso.

Em 2008, o estado de São Paulo chega ao menor número relativo de analfabetos na sua história: 4%. Pela primeira vez na história, o número de analfabetos maiores de 15 anos começa a diminuir a partir de 2002, chegando a 10 milhões em todo o país. Isso acontece pelo simples fato de que não geramos novos analfabetos, pois todas as crianças estão na escola. Mas o estoque de analfabetos se mantém e este número só abaixará pela morte deles!

Não acabamos ainda com o analfabetismo, embora estejamos acabando com os analfabetos. Todo o trabalho de Paulo Freire, todos os anos de exílio, todos os festejos na sua volta, não ajudaram o país a fazer a lição: dar direito à leitura e à escrita a seus cidadãos. Todos.

Elementos do seu método

O método construído por Paulo Freire a partir de sua prática pedagógica, em articulação com os carentes sociais e culturais de seu estado de Pernambuco, gerou um programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20. Pode-se dizer que esse método interferiu no mundo da educação em todos os continentes. Partindo de "temas geradores", o método propiciava uma reflexão do alfabetizando sobre os seus próprios problemas - o que gerava a necessidade de posicionar-se sobre tais questões e de expressá-las em formas próprias de comunicação. Com o método de Freire, os adultos não se sentiam alheios aos temas de sua escrita e a leitura virava um aprofundamento do que já vinham vivendo, em suas experiências como trabalhadores e cidadãos.

Se os temas geradores fossem, digamos, terra, latifúndio, favela, enxada, foice, casa, eram essas as palavras a serem lidas e escritas, com seus significados debatidos. Toda a gama de desmembramento de outras palavras era oriunda dessas sílabas componentes das palavras--temas. FA-VE-LA pode gerar: ve-la, fa-la, la-ve, lu-va, fa-va etc., assim como outras inúmeras composições com seus diversos grupos silábicos, num imenso repertório de possibilidades. Com isso, os jovens ou adultos constroem palavras nascidas de seu repertório "gerador"; e sendo elas debatidas, escritas e faladas, podem transformar as suas realidades pela práxis.

Os problemas de alfabetização não pararam aí: da perspectiva do método, o desafio contemporâneo é continuar a construir, com os leitores-aprendizes, a problematização sobre os temas geradores em cada nova realidade - como no mundo digital, especialmente. Tornado realidade pela reorganização do capitalismo volátil, o mundo digital deve ser também objeto de um novo processo da alfabetização. O mundo digital em nada é menos opressor ou menos desumanizador que o mundo do latifúndio ou da favela. São desafios mais sutis e mais encobertos em aparências de globalização democrática.

Como Paulo Freire pode ser chamado para ajudar a desenhar um método de alfabetização crítico-digital? Para estar neste mundo e poder participar de suas potencialidades é preciso dominá-lo. Este domínio não se dará pelo controle simples de seus manuais de instrução ou pela manipulação de seus teclados e softwares - "caminhar sobre as letras", como dizia Freire. Tal participação demanda um aguçamento do senso crítico, acompanhando a discussão de seus problemas e de suas perspectivas. Este domínio se desenvolve também com a compreensão de seus instrumentais: navegar na internet, trabalhar com um processador para escrever um texto, poder enviar uma mensagem para o outro lado da cidade ou do mundo, criar uma agência de notícias ou editar jornais comunitários, divulgar seu currículo na rede: tudo isso pode ser um caminho freireano de uso crítico e político.


"Folha Explica: Paulo Freire"
Autor: Fernando José de Almeida
Editora: Publifolha
Páginas: 104

da Folha Online

"Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação", diz o professor e vice-presidente da TV Cultura Fernando José de Almeida, em seu recente livro "Folha Explica: Paulo Freire".

Lançamento de "Paulo Freire" ocorre nesta quarta (28), em SP

Divulgação
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire

De forma clara e objetiva, o título analisa a vida e a obra desse que é um dos maiores educadores do Brasil, mostra uma reflexão sobre a "pedagogia do oprimido", criada por Freire, e deixa clara a importância mundial de seus projetos político-pedagógicos.

Também destina um capítulo especial com cronologia e as principais obras do educador --que tem obras traduzidas para mais de 20 línguas.

Conheça, no trecho abaixo, os pensamentos de Paulo Freire e seu programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20, e que interferiu no mundo da educação em todos os continentes.

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Ler o mundo para se libertar

O método criado por Paulo Freire para alfabetização de adultos foi, sem dúvida, sua maior contribuição à educação. Não apenas pela capacidade de alfabetizar em 40 horas. Seu sucesso está marcado pelo fato de ter desenvolvido um novo conceito de leitura - e com ele um novo conceito de escrita. Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação. Ler é tomar consciência. A leitura é antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive. Mas não só ler. É também representá-lo pela linguagem escrita. Falar sobre ele, interpretá-lo, escrevê-lo. Ler e escrever, dentro desta perspectiva, é também libertar-se. Leitura e escrita como prática de liberdade.

A escrita é também objeto do pensamento e da vida. O mundo ao sul da linha do Equador é marcado pela oralidade; aqui, a escrita e a leitura são um distintivo de poder. Portanto, a criação de uma política de desenvolvimento de participação do mundo da leitura e da escrita significa redimir as massas excluídas de 500 anos de história. A leitura do mundo antecede a leitura das letras. A leitura assim é um fato político cultural de participação. Desse ponto de vista, um adulto ler frases como "vovó viu a uva" deixou de ser um fato educacional pacífico e virou um absurdo político, já que a frase não tem nenhum significado para o adulto que se alfabetiza. É um desrespeito a ele e o esvazia de sua dimensão cidadã.

Há 60 anos10, havia ainda 50% de analfabetos no país - por absoluta opção política. Dirigentes, classes médias e baixas, clero, latifundiários e minifundiários, políticos, todos achavam que os analfabetos eram uma espécie de praga, uma mancha na cultura nacional. Mais uma vez, a vítima era a culpada. Alguns viam os analfabetos como uma espécie que nasce por acaso e faz parte de um sistema ecológico de equilíbrio social. De lá para cá, houve progresso.

Em 2008, o estado de São Paulo chega ao menor número relativo de analfabetos na sua história: 4%. Pela primeira vez na história, o número de analfabetos maiores de 15 anos começa a diminuir a partir de 2002, chegando a 10 milhões em todo o país. Isso acontece pelo simples fato de que não geramos novos analfabetos, pois todas as crianças estão na escola. Mas o estoque de analfabetos se mantém e este número só abaixará pela morte deles!

Não acabamos ainda com o analfabetismo, embora estejamos acabando com os analfabetos. Todo o trabalho de Paulo Freire, todos os anos de exílio, todos os festejos na sua volta, não ajudaram o país a fazer a lição: dar direito à leitura e à escrita a seus cidadãos. Todos.

Elementos do seu método

O método construído por Paulo Freire a partir de sua prática pedagógica, em articulação com os carentes sociais e culturais de seu estado de Pernambuco, gerou um programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20. Pode-se dizer que esse método interferiu no mundo da educação em todos os continentes. Partindo de "temas geradores", o método propiciava uma reflexão do alfabetizando sobre os seus próprios problemas - o que gerava a necessidade de posicionar-se sobre tais questões e de expressá-las em formas próprias de comunicação. Com o método de Freire, os adultos não se sentiam alheios aos temas de sua escrita e a leitura virava um aprofundamento do que já vinham vivendo, em suas experiências como trabalhadores e cidadãos.

Se os temas geradores fossem, digamos, terra, latifúndio, favela, enxada, foice, casa, eram essas as palavras a serem lidas e escritas, com seus significados debatidos. Toda a gama de desmembramento de outras palavras era oriunda dessas sílabas componentes das palavras--temas. FA-VE-LA pode gerar: ve-la, fa-la, la-ve, lu-va, fa-va etc., assim como outras inúmeras composições com seus diversos grupos silábicos, num imenso repertório de possibilidades. Com isso, os jovens ou adultos constroem palavras nascidas de seu repertório "gerador"; e sendo elas debatidas, escritas e faladas, podem transformar as suas realidades pela práxis.

Os problemas de alfabetização não pararam aí: da perspectiva do método, o desafio contemporâneo é continuar a construir, com os leitores-aprendizes, a problematização sobre os temas geradores em cada nova realidade - como no mundo digital, especialmente. Tornado realidade pela reorganização do capitalismo volátil, o mundo digital deve ser também objeto de um novo processo da alfabetização. O mundo digital em nada é menos opressor ou menos desumanizador que o mundo do latifúndio ou da favela. São desafios mais sutis e mais encobertos em aparências de globalização democrática.

Como Paulo Freire pode ser chamado para ajudar a desenhar um método de alfabetização crítico-digital? Para estar neste mundo e poder participar de suas potencialidades é preciso dominá-lo. Este domínio não se dará pelo controle simples de seus manuais de instrução ou pela manipulação de seus teclados e softwares - "caminhar sobre as letras", como dizia Freire. Tal participação demanda um aguçamento do senso crítico, acompanhando a discussão de seus problemas e de suas perspectivas. Este domínio se desenvolve também com a compreensão de seus instrumentais: navegar na internet, trabalhar com um processador para escrever um texto, poder enviar uma mensagem para o outro lado da cidade ou do mundo, criar uma agência de notícias ou editar jornais comunitários, divulgar seu currículo na rede: tudo isso pode ser um caminho freireano de uso crítico e político.


"Folha Explica: Paulo Freire"
Autor: Fernando José de Almeida
Editora: Publifolha
Páginas: 104

PAULO FREIRE DESENVOLVEU NOVO CONCEITO DE LEITURA E ESCRITA: leia trecho

da Folha Online

"Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação", diz o professor e vice-presidente da TV Cultura Fernando José de Almeida, em seu recente livro "Folha Explica: Paulo Freire".

Lançamento de "Paulo Freire" ocorre nesta quarta (28), em SP

Divulgação
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire
"Folha Explica" analisa a vida e a obra do educador Paulo Freire

De forma clara e objetiva, o título analisa a vida e a obra desse que é um dos maiores educadores do Brasil, mostra uma reflexão sobre a "pedagogia do oprimido", criada por Freire, e deixa clara a importância mundial de seus projetos político-pedagógicos.

Também destina um capítulo especial com cronologia e as principais obras do educador --que tem obras traduzidas para mais de 20 línguas.

Conheça, no trecho abaixo, os pensamentos de Paulo Freire e seu programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20, e que interferiu no mundo da educação em todos os continentes.

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Ler o mundo para se libertar

O método criado por Paulo Freire para alfabetização de adultos foi, sem dúvida, sua maior contribuição à educação. Não apenas pela capacidade de alfabetizar em 40 horas. Seu sucesso está marcado pelo fato de ter desenvolvido um novo conceito de leitura - e com ele um novo conceito de escrita. Ler, segundo Freire, não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação. Ler é tomar consciência. A leitura é antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive. Mas não só ler. É também representá-lo pela linguagem escrita. Falar sobre ele, interpretá-lo, escrevê-lo. Ler e escrever, dentro desta perspectiva, é também libertar-se. Leitura e escrita como prática de liberdade.

A escrita é também objeto do pensamento e da vida. O mundo ao sul da linha do Equador é marcado pela oralidade; aqui, a escrita e a leitura são um distintivo de poder. Portanto, a criação de uma política de desenvolvimento de participação do mundo da leitura e da escrita significa redimir as massas excluídas de 500 anos de história. A leitura do mundo antecede a leitura das letras. A leitura assim é um fato político cultural de participação. Desse ponto de vista, um adulto ler frases como "vovó viu a uva" deixou de ser um fato educacional pacífico e virou um absurdo político, já que a frase não tem nenhum significado para o adulto que se alfabetiza. É um desrespeito a ele e o esvazia de sua dimensão cidadã.

Há 60 anos10, havia ainda 50% de analfabetos no país - por absoluta opção política. Dirigentes, classes médias e baixas, clero, latifundiários e minifundiários, políticos, todos achavam que os analfabetos eram uma espécie de praga, uma mancha na cultura nacional. Mais uma vez, a vítima era a culpada. Alguns viam os analfabetos como uma espécie que nasce por acaso e faz parte de um sistema ecológico de equilíbrio social. De lá para cá, houve progresso.

Em 2008, o estado de São Paulo chega ao menor número relativo de analfabetos na sua história: 4%. Pela primeira vez na história, o número de analfabetos maiores de 15 anos começa a diminuir a partir de 2002, chegando a 10 milhões em todo o país. Isso acontece pelo simples fato de que não geramos novos analfabetos, pois todas as crianças estão na escola. Mas o estoque de analfabetos se mantém e este número só abaixará pela morte deles!

Não acabamos ainda com o analfabetismo, embora estejamos acabando com os analfabetos. Todo o trabalho de Paulo Freire, todos os anos de exílio, todos os festejos na sua volta, não ajudaram o país a fazer a lição: dar direito à leitura e à escrita a seus cidadãos. Todos.

Elementos do seu método

O método construído por Paulo Freire a partir de sua prática pedagógica, em articulação com os carentes sociais e culturais de seu estado de Pernambuco, gerou um programa de alfabetização que marcou as quatro últimas décadas do século 20. Pode-se dizer que esse método interferiu no mundo da educação em todos os continentes. Partindo de "temas geradores", o método propiciava uma reflexão do alfabetizando sobre os seus próprios problemas - o que gerava a necessidade de posicionar-se sobre tais questões e de expressá-las em formas próprias de comunicação. Com o método de Freire, os adultos não se sentiam alheios aos temas de sua escrita e a leitura virava um aprofundamento do que já vinham vivendo, em suas experiências como trabalhadores e cidadãos.

Se os temas geradores fossem, digamos, terra, latifúndio, favela, enxada, foice, casa, eram essas as palavras a serem lidas e escritas, com seus significados debatidos. Toda a gama de desmembramento de outras palavras era oriunda dessas sílabas componentes das palavras--temas. FA-VE-LA pode gerar: ve-la, fa-la, la-ve, lu-va, fa-va etc., assim como outras inúmeras composições com seus diversos grupos silábicos, num imenso repertório de possibilidades. Com isso, os jovens ou adultos constroem palavras nascidas de seu repertório "gerador"; e sendo elas debatidas, escritas e faladas, podem transformar as suas realidades pela práxis.

Os problemas de alfabetização não pararam aí: da perspectiva do método, o desafio contemporâneo é continuar a construir, com os leitores-aprendizes, a problematização sobre os temas geradores em cada nova realidade - como no mundo digital, especialmente. Tornado realidade pela reorganização do capitalismo volátil, o mundo digital deve ser também objeto de um novo processo da alfabetização. O mundo digital em nada é menos opressor ou menos desumanizador que o mundo do latifúndio ou da favela. São desafios mais sutis e mais encobertos em aparências de globalização democrática.

Como Paulo Freire pode ser chamado para ajudar a desenhar um método de alfabetização crítico-digital? Para estar neste mundo e poder participar de suas potencialidades é preciso dominá-lo. Este domínio não se dará pelo controle simples de seus manuais de instrução ou pela manipulação de seus teclados e softwares - "caminhar sobre as letras", como dizia Freire. Tal participação demanda um aguçamento do senso crítico, acompanhando a discussão de seus problemas e de suas perspectivas. Este domínio se desenvolve também com a compreensão de seus instrumentais: navegar na internet, trabalhar com um processador para escrever um texto, poder enviar uma mensagem para o outro lado da cidade ou do mundo, criar uma agência de notícias ou editar jornais comunitários, divulgar seu currículo na rede: tudo isso pode ser um caminho freireano de uso crítico e político.


"Folha Explica: Paulo Freire"
Autor: Fernando José de Almeida
Editora: Publifolha
Páginas: 104

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

COMO LULA, TUCANATO INCHA A MÁQUINA PUBLICA EM SÃO PAULO


Ordem Serrada/Chico Quintas Jr.



Em matéria de pessoal, o princípio seguido pelo PSDB em São Paulo, principal vitrine do partido, baseia-se num velho lema: "Faça como eu digo, não como eu faço".



Crítico contumaz da polícia funcional expansionista adotada por Lula na esfera federal, o tucanato mimetiza o presidente em São Paulo.



Deve-se a comparação ao repórter Gustavo Patu. O cotejo de dados resultou em reportagem pendurada na manchete da Folha desta segunda (19).



Apurou-se o seguinte:



1. Desde 2003, máquina do Executivo de São Paulo ganhou 33 mil novos servidores ativos. Nesse período, o Estado foi gerido pelos grão-tucanos Alckmin e Serra.



2. Considerando-se os três Poderes do Estado, as despesas com o funcionalismo de São Paulo foram tonificadas por reajustes dados às principais carreiras.



3. Incluindo aposentados e pensionistas, a conta anual da folha salarial de São Paulo subiu 19%. Em 2008, bateu em R$ 43,1 bilhões.



4. O repórter deparou-se com diferenças metodológicas que dificultam a comparação precisa entre a política de pessoal do PT-Brasília e do PSDB-SP.



5. A despeito disso, verificou-se que não há divergência na linha seguida por Lula e pela dupla Alckmin-Serra.



6. Sob Lula, interrompeu-se o processo de enxugamento de pessoal que Collor iniciara e que FHC aprofundara.



7. Desde que tomou posse, em 2003, Lula elevou em 12% o quadro de servidores ativos do Executivo. Em julho passado, os funcionários eram contados em 548,2 mil.


8. Tomado pelo boletim estatístico do governo de São Paulo, o crescimento do quadro de servidores do Executivo paulista foi de 14%.



9. O tucanato alega que o critério de quantificação foi modificado em 2007. Guiando-se pela nova metodologia, a gestão Serra diz que a elevação foi de 5%.



10. Depois de escarafunchado pelo repórter Patu, o boletim dos 14%, que se encontrava disponível no sítio mantido pelo governo de São Paulo na web, sumiu.



11. A assessoria de imprensa da Secretaria de Gestão Pública de Serra atribuiu o sumiço à necessidade de rever os dados e uniformizar os critérios.



12. Na União, as despesas com pessoal são computadas com metodologias distintas das adotadas em São Paulo. A despeito disso, a comparação é incontornável.



13. Considerando-se os três Poderes federais –Executivo, Judiciário e Congresso–, a elevação dos gastos foi, sob Lula, 30% acima do IPCA. Bateu em R$ 144,5 bilhões.



14. Tomando-se apenas os gastos com o Executivo, a diferença entre Lula e Alckmin-Serra é praticamente inexistente: até 2008, 15% na União e 14% em São Paulo.



15. São Paulo e Brasília igualam-se também nas desculpas. Os governos federal e paulista alegam que o funcionalismo não cresceu a esmo.



16. O secretário de Gestão Pública de Serra, Sidney Beraldo, diz que, em São Paulo, o crescimento do quadro beneficiou especialmente as áreas de educação e segurança pública.



17. O secretário de Gestão do Ministério do Planejamento de Lula, Marcelo Viana de Moraes, informa:



Na seara federal os setores que mais ganharam novos servidores foram –tchan, tchan, tchan, tchan...— educação e segurança.



18. Submetido a essa coleção de dados, o poeta Gonçalves Dias talvez dedicasse um verso aos tucanos que alfinetam Lula no Congresso sem olhar para o bico grande de São Paulo:



“As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.

Escrito por Josias de Souza às 05h00

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Organização Sistêmica dos Documentos do Povo Brasileiro:

Lula sanciona lei que unifica número do RG, passaporte e CPF

Da Agência Brasil*
A carteira de identidade, o passaporte, o CPF e a carteira de motorista são alguns dos documentos que passarão a ter o mesmo número de registro. A lei 12.058 que autoriza o registro civil único foi sancionada na última terça-feira (13) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a unificação, o cidadão terá o número único de registro de identidade civil, válido para os brasileiros natos e naturalizados. De acordo com a lei, a implementação do registro único deve começar dentro de um ano. O Poder Executivo terá 180 dias para regulamentação.

Pelo projeto, os documentos terão o mesmo número do Registro da Identidade Civil (RG), à medida que forem sendo expedidos. A União poderá firmar convênios com os Estados e o Distrito Federal para implantar o número único e trocar os documentos antigos de identificação.

A lei foi resultado da conversão da Medida Provisória 462, que trata do repasse de recursos ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Um dos objetivos da lei é evitar a falsificação de documentos. Cerca de 10% de pelo menos 160 milhões de carteiras de identidade que circulam no Brasil são falsas, conforme dados da PF.

São documentos frios que seguem ativos, em parte, por causa da negligência das famílias e dos cartórios em dar baixa em casos de morte, mas principalmente por golpistas da Previdência, eleitores fantasmas e estelionatários em geral. A PF já encontrou pessoas com mais de 20 carteiras de identidade, de Estados diferentes.

* Com informações da Agência Estado

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Lula visita obras no rio São Francisco em "Estados problema" para eleições 2010

Maurício Savarese
Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O segundo e o quarto maiores colégios eleitorais do país foram destino nesta quarta-feira (14) da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas visitas às obras da transposição do rio São Francisco. Comum a Minas Gerais e Bahia: sobram discórdias entre PT e PMDB, dificultando a montagem de palanque único para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata pelo campo governista.
  • Arte UOL

    Lula e comitiva percorrem três Estados até sexta-feira (16) visitando obras do rio São Francisco


A primeira parada da caravana em ritmo de campanha eleitoral foi em Buritizeiro (MG), cidade administrada pelo PT e na qual as obras mal caminharam até agora. Depois, duas cidades baianas: Barra e Xique-Xique. Lula termina o dia em seu Estado natal, Pernambuco, na cidade de Arcoverde.

A comitiva foi formada pelo presidente, Dilma e os ministros Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Márcio Fortes (Cidades), além do deputado, presidenciável e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE). O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também faria parte da comitiva na etapa mineira da viagem, mas um desencontro impossibilitou a participação do tucano, de acordo com sua assessoria.

Minas Gerais vê disputa entre dois petistas, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, para enfrentar nas eleições estaduais o líder das pesquisas e ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB). A possibilidade de acordo, dizem petistas e peemedebistas, é pequena.

Você acha que a viagem de Lula e Dilma é eleitoreira?


Na Bahia, o neolulista Geddel, titular da pasta responsável pelas obras do São Francisco, rompeu publicamente com o governador Jaques Wagner (PT), a quem ajudou a eleger em 2006. Eles devem disputar votos no ano que vem em um clima de animosidade que o próprio Lula até agora não conseguiu conter.

O presidente afirmou que a viagem serve para mostrar que um projeto de Dom Pedro 2º finalmente sairá do papel, ainda que não tenha feito parte das promessas de campanha. Logo depois de pousar na primeira etapa da viagem, Lula tirou fotos com Dilma, Aécio e Ciro Gomes juntos.

Aécio e Lula não sobem no mesmo palanque conforme previsto
Um suposto desencontro na agenda do presidente Lula e do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, impediu que ambos subissem juntos ao mesmo palanque na manhã desta quarta-feira (14), em Buritizeiro (MG), cidade sob administração do padre petista Salvador Raimundo Fernandes.

Dilma e Ciro "têm vocação para serem cantores solo"


O governador viajou a Pirapora (MG), que fica na margem oposta a Buritizeiro, no rio São Francisco, para receber o presidente. O esperado era que Aécio cruzasse o "Velho Chico" e participasse junto com o presidente de uma cerimônia no município, prevista na agenda presidencial, mas o governador preferiu permanecer em Pirapora, governada por Warmillon Fonseca Braga, do Democratas.

Segundo a assessoria de Aécio, a não ida do governador a Buritizeiro foi motivada por uma alteração da agenda presidencial que teria retirado uma cerimônia em Pirapora do roteiro da comitiva "em cima da hora". Diante da mudança, o governador teria optado por permanecer em Pirapora.

A assessoria da Presidência nega que tenha ocorrido uma alteração súbita na agenda e afirma que a comitiva sequer cogitou realizar um evento em Pirapora. A assessoria diz ainda que o município só seria utilizado para o deslocamento da comitiva, por possuir um aeroporto, e que a agenda foi fechada ontem, às 21h, como de praxe.
  • Ricardo Stuckert/Presidência da República

    O presidente Lula posa para foto com presidenciáveis: o deputado Ciro Gomes (esq.), a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, durante visita às obras de integração do rio São Francisco; Aécio recebeu o presidente em Pirapora (MG), mas não subiu no mesmo palanque eque o presidente

Ambas as assessorias negaram que questões eleitorais tenham relação com o fato de Lula e Aécio não terem subido no mesmo palanque.

Único oposicionista do encontro, embora com próximo diálogo com Lula, Aécio afirmou que não considera a viagem eleitoreira. "O presidente busca viabilizar uma candidatura no seu campo, é natural. Uma candidatura que ainda não teve nenhum desafio eleitoral. Vejo isso como parte do jogo democrático e felizmente vivemos em uma democracia".

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já recebeu representações contra o PT, o presidente Lula e a ministra Dilma, acusados de campanha antecipada para as eleições de 2010, mas todas até agora foram negadas. Oposicionistas falam em voltar à Corte por conta da viagem da comitiva presidencial à região do São Francisco.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Embuste: Skcaf, homem de direita, inimigo da CPMF e dos trabalhadores, filiado a um partido, supostamente, de esquerda (o PSB)

Edson Paim Escreve

Até onde chegou o despropósito!

Os partidos, no Brasil, não têm, mesmo, conteúdo de nitidez ideológica.

Mas não se esperaria chegar a este ponto!

Skaf, reconhecidamene defensor do liberalismo econômico, cujo simbolo maior é a "mão invisível", uma verdadeira mão direita, que regula, apenas, o mercado, concomitantemente, desregulando a sociedade inteira, se conflitando com o papel do Estado Democrático de Direito, dos nossos dias, cuja "mão esquerda" deve se tornar, cada vez, mais visível, a fim de se contrapor aos ditames do modelo liberal que estrebuchou no decorrer da crise econômica sistêmica, mundial.

Este modelo iníquo só foi salvo graças a intervenção estatal, mais visível nos países que possuem um Estado econômicamente forte, como o Brasil e, por isto mesmo, custou mais a entrar na crise e, mais prontamente saiu dela.

Parabens aos militantes do PSB, oponentes ao duspodorado gesto do Sr. Paulo Scaf que com o acesso que tem ao dinheiro de todos o empresariado paulista, deseja comprar um mandato, para melhor defender seus financiadores, do qual se tornará um mero "laranja", poia, a peso de dinheiro, comprarão um mandato, para representar a FIESP no Parlamento e não o povo paulista.

Essa estratégia, ademais, desquilibrará, mais ainda, as eleições, a favor do poder econômico, em detrimento daqueles que, realmenente, possuem vínculo com o povo, os quais só terão oportunidade se, algun dia, for implantado o financiamento publico de campanha, que os atuais beneficiários do nosso iníquo modelo eleitoral se recusam a implantar, como o fizeram no último arremedo de reforma eleitoral, pois essa estratégia, certamente, os colocaria no mesmo nível de oportunidade daqueles que, verdadeiramente, poderiam representar o povo.



Veja o que escreve Josias de Souza;


"Militantes do PSB recorrem contra a filiação de Skaf



Zhang Dali Shaun Curry/AFP



Tom Jobim costumava dizer: o Brasil é um país de cabeça pra baixo. Aqui, as prostitutas gozam e os traficantes cheiram.



Desde a morte do maestro, a coisa só tem piorado. Agora, supostos capitalistas viram pseudosocialistas em pleno vôo.



Incomodados com o inusitado da fialiação de Paulo Skaf ao PSB, dois militantes da legenda decidiram estrilar.



Chamam-se Marionaldo Fernandes Maciel e Jadirson Tadeu Cohen Parantinga. Moram em Campinas (SP).



Acham que a conversão do presidente da Fiesp levou a inconerência Às fronteiras do paroxismo. Recorreram contra a filiação do “inimigo” dos trabalhadores.



Procurado, Skaf mandou dizer que o par de militantes expressa posição isolada. Coisa normal num país democrático como o Brasil.



O presidente do diretório Municipal do PSB de Campinas, Eliseu Gabriel, também considerou normal o protesto dos militantes.



Como se vê, o Brasil pós-Jobim continua sendo o último país feliz do mundo. Aqui, o normal é a anormalidade."

Escrito por Josias de Souza

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

GARCIA COORDENARÁ PROGRAMA DE DILMA

BRASÍLIA - O PT criou o grupo que dará as diretrizes gerais do programa de governo para a campanha da ministra Dilma Rousseff a presidente da República. Coordenado pelo assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a comissão será responsável por definir a plataforma política da candidata, organizar o diálogo com os movimento sociais e os partidos aliados. Alguns temas já estão definidos: política social, educação, investimentos em ciência e tecnologia e preocupações com os recursos ambientais, como a água, por exemplo. Além de Garcia, fazem parte do grupo o presidente do PT, Ricardo Berzoini, o assessor pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o ex-prefeito de Guarulhos Elói Pietá.

O marqueteiro João Santana, responsável pela campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, também está assessorando a candidata e programando pesquisas qualitativas junto ao eleitorado. Segundo um integrante do Diretório Nacional do PT, o grande desafio será dar forma ao discurso de Dilma no palanque. " Ela não pode ser apenas a mãe do PAC. Isto é muito pouco. O governo Lula é muito mais do que isto " , declarou um dirigente do partido. Até o momento, a pré-campanha está apoiada nos avanços obtidos nos oito anos do governo Lula. O desafio é avançar. " Quando Dilma subir no palanque, o que ela vai dizer? O que ela vai trazer além do que já fizemos? " , questiona um petista.

A educação, principalmente o ensino fundamental, está nesta nova diretriz. Existe a avaliação interna de que todas as conquistas recentes, como a inauguração de escolas técnicas, universidades e extensões de campi precisam ser atrelados à figura da chefe da Casa Civil.

Articuladores do partido desprezam a avaliação de que um discurso voltado para educação não empolga o eleitorado. Citam como exemplo o Prouni, que atende 500 mil jovens carentes matriculados em universidades particulares de todo o país. " Discursar para este público é falar diretamente com um grupo que tem um poder de mobilização política enorme " , defende um parlamentar. Dirigentes também se debruçam sobre os investimentos em ciência e tecnologia. Nos últimos anos, por esforço próprio do setor acadêmico, cresceu a produção e publicação de textos científicos brasileiros em revistas especializadas internacionais. Vencida a tarefa de estabilizar a economia e apontar os rumos do crescimento econômico, chegou a hora de apostar no conhecimento " para que o país possa dar um salto qualitativo " , na avaliação de um integrante do comando de campanha. Lula antecipou estas diretrizes, ao incluir os dois setores dentre aqueles beneficiados pelos recursos do pré-sal. " Mas o pré-sal começa a gerar divisas apenas em 2016. Precisamos ter uma política clara para estes setores, com fontes de financiamento efetivas " , defendeu o dirigente.

Falta ainda a elaboração de uma política ambiental e de unificação dos diversos programas sociais. Estes dois últimos ainda estão em fase embrionária. Há cerca de dois meses, Lula, em reunião com aliados próximos, disse que " era preciso dar um discurso social para Dilma " . Surgiu lá a ideia de consolidar todos os programas de governo em uma lei única. Na área ambiental, o foco será a água. " Por diversas razões: temos a maior matriz de energia limpa do mundo, o pré-sal e uma costa marítima a ser defendida, o que requer a compra de navios e submarinos nucleares " , justificou o petista. Ontem, ao chegar a um jantar com o PDT - o primeiro com partidos aliados do governo Lula -, Dilma disse que a base deve ter uma única candidatura. A tese é defendida pelo presidente, mas enfrenta resistências no PSB, que pretende lançar a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Para Dilma, Lula precisa eleger o seu sucessor para assegurar a continuidade das conquistas dos últimos oito anos.

A ministra teve o cuidado de não afirmar que ela deve ser a única candidata. A tarefa coube ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e ao deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP).

(Paulo de Tarso Lyra | Valor)